Na semana passada, ao assistir à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa É da Coisa, comandado por Reinaldo Azevedo, não pude deixar de refletir sobre o quanto a política é imprevisível.
Quem poderia imaginar que o mesmo jornalista que escreveu O País dos Petralhas e que, nos anos 2000, foi um dos mais ferrenhos antipetistas, estaria em 2025 não apenas entrevistando Lula, mas também rasgando elogios ao presidente — chegando a dizer que ele estava “bonitão”?
Se alguém tivesse dito, na época do Mensalão, que isso aconteceria, seria chamado de louco. Poucos jornalistas surfaram tanto na onda do antipetismo quanto Azevedo. Hoje, no entanto, ele se coloca como defensor de Lula, declarando que só entrevista quem respeita. Onde foi parar todo aquele ódio ao PT?
É claro que as pessoas podem mudar de opinião — e isso não é um defeito, mas sinal de coragem. Morrer abraçado a convicções nas quais já não se acredita é apenas orgulho vazio. Ainda assim, chama atenção uma mudança tão brusca de posicionamento.
O mesmo vale para Geraldo Alckmin. Ex-adversário histórico do PT, que chegou a dizer que Lula havia “retornado à cena do crime”, hoje é vice-presidente e braço direito do petista. Foi peça-chave da Frente Ampla que o conduziu novamente ao Planalto.
Uma ironia da história, amplamente repercutida pela mesma imprensa que, durante a Lava Jato, transformou a demonização de Lula em rotina. Depois, com Bolsonaro no poder, esses mesmos veículos se disseram surpresos com os ataques autoritários do “mito”, que dia sim, dia não, demonstrava seu desprezo pela mídia. Mas nem isso impediu grande parte da imprensa de defender os programas econômicos do governo Bolsonaro, o que tornava a “oposição” ao ex-presidente apenas um jogo de retórica.
Política e jornalismo sempre caminharam juntos. Ninguém se elege sem apoio de jornais, rádios ou TVs. E, por isso, todos os governos — federais, estaduais ou municipais — destinam verbas à mídia.
Essas viradas de posicionamento seguem surpreendendo, inclusive aqui na chamada Capital dos Presidentes. Figuras que durante anos defenderam a gestão anterior, muitas vezes ocupando até ocupando cargos, hoje se colocam como opositores do prefeito José Luiz Rodrigues Machado, herdeiro político de Bonotto, mas ainda incapaz de firmar sua própria marca na administração.
As críticas, antes inexistentes, agora são rotina — como se outrora tudo fosse perfeito. Novamente, ressalto que mudanças de opinião são dignas e envolvem coragem, também. No entanto, não dá para ser ingênuo.
Pois assim é a política. E assim é parte da mídia: movidas por interesses e conveniências, unidas e afastadas conforme o vento sopra.



