O 7 de Setembro de 2025 amanheceu com ruas ocupadas por manifestações da direita e da esquerda em várias cidades do país. As agendas são distintas: de um lado, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendem a anistia aos envolvidos nos atos golpistas; de outro, movimentos sociais e centrais sindicais saem às ruas em defesa da soberania nacional, em reação às recentes sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.
Pela manhã, houve concentração de bolsonaristas em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Na capital mineira, apenas um quilômetro separa os atos da direita e da esquerda. Em Brasília, os manifestantes gritaram “fora, Lula” e “fora, Moraes”, enquanto bandeiras do Brasil se misturaram às dos EUA e de Israel. No Rio, cartazes exaltaram o ex-presidente americano Donald Trump, citado após seu governo impor tarifa de 50% a produtos brasileiros e sancionar o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O principal ato da direita ainda acontece hoje à tarde, às 15h, na avenida Paulista, em São Paulo, convocado pelo pastor Silas Malafaia. Sem Bolsonaro, o protagonismo deve ficar com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem atuado nos bastidores para viabilizar a pauta da anistia no Congresso.
Já os movimentos de esquerda iniciaram o dia cedo. Em São Paulo, a Praça da República recebeu militantes desde as 9h, com expectativa de reunir até 10 mil pessoas. A CUT e outras entidades organizam caravanas de diversas cidades, denunciando o tarifaço de Trump como uma “agressão à independência do Brasil”. O ato conta com a participação de ministros do governo e parlamentares do PT e do PSOL, como Luiz Marinho, Guilherme Boulos e Erika Hilton.
Também pela manhã, o tradicional Grito dos Excluídos aconteceu na Praça da Sé, com café da manhã solidário e caminhada pelas ruas do centro.
Assim, o feriado da Independência se desenha com duas leituras opostas: a direita reivindica anistia, enquanto a esquerda fala em soberania nacional frente à pressão internacional.



