O caso da menina Isabelly Carvalho Brezzolin, de apenas 11 anos, teve uma reviravolta dramática nesta segunda-feira (12). O laudo oficial da necropsia, divulgado de forma antecipada pelo Diário de Santa Maria, aponta que a causa da morte foi uma sepse — infecção generalizada — provocada por uma pneumonia grave.
O documento não identificou qualquer sinal de agressão física ou abuso sexual. A revelação desmonta a principal base das acusações que levaram à prisão preventiva dos pais da criança, Elisa de Oliveira Carvalho, de 36 anos, e José Lindomar Nunes Brezzolin, de 55, detidos ainda na véspera da morte da filha sob suspeitas de maus-tratos e violência sexual.
Agora, com o resultado do exame pericial em mãos, a pergunta que se impõe é: por que essas prisões aconteceram?
Isabelly foi atendida inicialmente na Santa Casa de São Gabriel e, diante da gravidade do quadro, transferida para o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Morreu na quinta-feira, 8 de maio, após sofrer uma falência múltipla de órgãos.
Segundo o laudo, não havia qualquer indício de fraturas, lesões genitais ou qualquer tipo de trauma físico. O que se encontrou foi um pulmão comprometido por uma infecção severa — o que já havia sido constatado por exames de imagem ainda em São Gabriel.
Apesar disso, os pais da menina foram presos com base em alegações que agora são fortemente questionadas. A Polícia Civil afirmava, até então, que exames preliminares indicavam perfurações, fraturas nas costelas e sinais de abuso. Tudo isso, ao que tudo indica, pode ter sido fruto de interpretações errôneas — ou de uma precipitação grave no processo investigativo.
Em nota, a Santa Casa de São Gabriel informou que desde a entrada de Isabelly na unidade não foram identificados sinais de violência. Segundo a equipe médica, as alterações pulmonares — incluindo um pneumotórax e derrame pleural — eram compatíveis com um quadro infeccioso agudo ou crônico.
O hospital afirmou ainda ter repassado todas essas informações à Polícia Civil. No entanto, ainda não está claro em que momento e com base em qual evidência as autoridades concluíram que a menina teria sido agredida ou abusada.
Diante da nova informação, a Polícia Civil de São Gabriel decidiu colocar o inquérito sob sigilo, alegando que diligências ainda estão em andamento. A decisão, porém, levanta dúvidas. O que motivou a versão inicial? Quem comunicou à polícia a existência de fraturas e lesões genitais? Por que os pais foram detidos antes mesmo da confirmação da causa da morte?
Esses são alguns dos questionamentos que, até o momento, permanecem sem resposta. Enquanto isso, cresce a pressão pública por esclarecimentos.
Nas redes sociais, a comoção se mistura à revolta. Muitos internautas pedem que os responsáveis por uma possível condução equivocada do caso prestem contas. Há quem defenda que os pais foram vítimas de um julgamento precipitado — e de um sistema que, em nome da proteção, pode ter cometido uma injustiça irreparável.
Um detalhe que chamou atenção foi o depoimento da própria mãe à polícia. Elisa relatou que vinha notando comportamentos “estranhos” do marido com a filha, como abraços excessivos. Essa declaração pode ter influenciado o rumo das investigações, embora, até agora, não configure qualquer prova de crime.
A morte precoce de Isabelly já era, por si só, uma tragédia. Mas os desdobramentos do caso expõem outro drama: o risco de decisões judiciais baseadas em indícios frágeis, versões mal checadas e diagnósticos apressados.
Agora, com o laudo necroscópico em mãos e a narrativa inicial desmontada, resta saber se haverá responsabilização por eventuais erros cometidos — e se a busca pela verdade será mais forte que a pressa por culpados.



