A madrugada desta terça-feira-feira (17) foi marcada por intensos volumes de chuva em São Borja, resultando em alagamentos, prejuízos materiais e uma série de manifestações de indignação da população nas redes sociais. Moradores relataram que diversas ruas e residências foram invadidas pela água, com perdas de móveis, roupas, eletrodomésticos e documentos. Houve ainda casos de placas de veículos levadas pela enxurrada.
Trechos das ruas Major Euclides Dornelles, Panamá e Dom Pedro Primeiro estão entre os mais afetados. “A casa tudo alagada, as coisas tudo molhada, forro de cama, colchão pingando água”, descreveu uma moradora. “Molhou tudo, as coisas das crianças também. Agora é trabalhar para adquirir tudo de novo”, relatou outra.
Além das perdas materiais, moradores expressaram frustração com o que consideram descaso por parte do poder público. “Boa parte da população de São Borja passou a noite acordada tentando salvar suas coisinhas. Quase 9 horas da manhã e nenhuma posição do poder público, nenhum vereador posicionado?”, questionou uma publicação. Em outro relato, um cidadão afirmou: “Cesta básica não compensa quatro anos de abandono e descaso”.
As críticas também recaem sobre obras e serviços de infraestrutura na cidade. “Fizeram a faixa acima do nível das casas e, o que é pior, mexeram nos bueiros. Acabou dando nisso. É pra isso que o pobre paga imposto”, apontou um morador. Já outro afirmou: “As ruas estão uma buraqueira que nem cavalo anda. Quando não é cratera no asfalto, é rede de esgoto transbordando e água entrando nas casas, estragando o que a gente batalha pra ter”.
Moradores também relataram que, mesmo após pedidos de ajuda, não houve retorno. “Mais uma vez minha casa encheu de água. Pedi ajuda, ficaram de vir ver e não apareceu ninguém. Eu que me lasque com minhas coisas, perdendo o que tenho: porta interna, guarda-roupa, cômoda. E depois eu que trabalhe e compre de novo, porque quem pode ajudar não faz nada”, escreveu uma moradora.
As manifestações refletem um sentimento de esgotamento diante da recorrência dos problemas e da falta de soluções efetivas. “É inacreditável. Quantas vezes mais vai ter que acontecer isso pra tomarem providência? É fácil vir em época de eleição pedir voto, mas quando o povo precisa, ninguém aparece”, afirmou outro morador.
Enquanto isso, a população segue lidando com os prejuízos, mobilizando-se em redes de solidariedade e cobrando providências concretas. “É revoltante que, em pleno 2025, tanta gente ainda passe noites sem dormir tentando salvar o que tem dentro de casa. Falta estrutura, falta cuidado e, principalmente, falta prioridade do poder público municipal”, sintetizou uma das manifestações.



