Luciano Menezes teria utilizado contas bancárias de associação de apoio à Polícia Civil para fins indevidos; investigação corre sob sigilo
O delegado de Polícia Civil Luciano Menezes, de 54 anos, foi afastado de suas funções por suspeita de desvio de recursos públicos, segundo investigações conduzidas pelo Ministério Público (MP) e pela Corregedoria da Polícia Civil.
O afastamento ocorreu na tarde de quinta-feira (26), em Santa Cruz do Sul, na Região dos Vales, e foi confirmado oficialmente pelas duas instituições.
A investigação aponta que Menezes, que integra a Polícia Civil há 26 anos e já atuou como diretor regional, teria se apropriado de verbas oriundas do Grupo de Apoio à Polícia (GAP), associação formada por empresários locais com o objetivo de auxiliar a segurança pública da cidade.
Segundo apuração da RBS TV, o delegado teria acesso direto a pelo menos oito contas bancárias da entidade e utilizaria cartões vinculados à associação. O valor total do suposto desvio ainda não foi divulgado, mas 15 testemunhas já prestaram depoimento e confirmaram às autoridades detalhes do caso.
O principal crime investigado é peculato, que se refere ao desvio de recursos por servidores públicos em razão do cargo.
O celular do delegado foi apreendido no cumprimento do mandado de afastamento cautelar e será periciado para extração de dados.
A investigação teve início em novembro de 2024, após denúncia feita por outro delegado da corporação. Apesar do caráter sigiloso das investigações, fontes ligadas ao caso confirmaram o teor das suspeitas à reportagem do G1 RS.
Tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil evitaram dar detalhes adicionais.
Menezes ganhou projeção ao longo da carreira por comandar operações contra o tráfico de drogas e o crime organizado. Em 2024, foi presidente da Oktoberfest de Santa Cruz do Sul. No início deste ano, foi removido da direção regional da Polícia Civil após declarações polêmicas feitas em audiência pública na Câmara de Venâncio Aires, quando criticou duramente a falta de estrutura da polícia:
“Se nós dependermos do Estado, nós não temos nem papel higiênico para limpar a bunda numa delegacia.”



