Uma aposentada de 68 anos, moradora de São Borja, foi vítima de um golpe virtual conhecido como “golpe do amor”, no qual golpistas se passam por celebridades para enganar emocionalmente e financeiramente suas vítimas. Convencida de que mantinha um relacionamento amoroso com o cantor paranaense Gabriel Pasa — popular entre o público da terceira idade —, a idosa chegou a comprar alianças e anunciar seu noivado para familiares e amigos.
“Eu vou casar com ele”, afirmou à reportagem da RBS TV. “Ele já comprou as alianças, tudo tá no dedo dele. E a minha também. E ele vai vir pra nós colocarmos as alianças”, declarou, sem saber que estava lidando com um estelionatário que se fazia passar pelo artista em redes sociais.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga o caso e apura a existência de uma rede de golpistas que utilizam o nome e a imagem de Gabriel Pasa para enganar mulheres, especialmente idosas.
Segundo o cantor, essa não é a primeira vez que criminosos usam sua identidade para aplicar esse tipo de fraude. “Esse amor que você sente por mim pode continuar, mas apenas como uma fã. Casamento é impossível. Sou casado há muitos anos”, disse Pasa, com delicadeza, durante uma chamada de vídeo organizada pela reportagem da RBS com a vítima.
Somente após o contato direto com o verdadeiro cantor, a idosa reconheceu: “Acho que caí num golpe.”
Casos semelhantes também foram registrados em outros municípios gaúchos. Em Esteio, uma aposentada de 64 anos foi convencida por um falso perfil a enviar R$ 400 em cartões vale-presente.
A filha relata que a mãe começou a se isolar da família e a apagar mensagens do celular, visivelmente abalada.
Em Canoas, outra mulher perdeu mais de R$ 20 mil para um golpista que se passava por engenheiro em um aplicativo de relacionamentos. “Ele disse que precisava de R$ 10 mil porque o pai tinha feito uma cirurgia e os tios não ajudaram. Depois pediu mais R$ 10 mil para construir um quarto para a filha dele”, contou.
Esse tipo de crime, classificado como estelionato sentimental, tem crescido em todo o país e atinge, principalmente, mulheres idosas, solitárias e emocionalmente vulneráveis.
A Meta, empresa responsável pelas plataformas Facebook e WhatsApp — meios usados pelos criminosos — afirmou que está aprimorando tecnologias para detectar atividades suspeitas e reforçou a importância de as vítimas denunciarem perfis falsos.
Já a Polícia Civil alerta para que familiares estejam atentos a mudanças repentinas de comportamento, isolamento e sigilo excessivo, principalmente entre idosos que utilizam redes sociais.



