“Foi desastrosa a ação”, diz advogado da família de agricultor morto em abordagem da Patram

A defesa da família de Valdemar Both, de 54 anos, morto durante uma abordagem da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) na última terça-feira (1º), em Santa Maria, quebrou o silêncio e cobrou uma apuração criteriosa sobre as circunstâncias da morte.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (4) ao programa F5, da Rádio CDN, o advogado da família, Marcio Batista Obetine, afirmou que a ação foi “desastrosa” e levantou questionamentos sobre a forma como a abordagem foi conduzida.

Valdemar era agricultor, prestava serviços de limpeza de terrenos, consertava máquinas para vizinhos e também trabalhava com o corte de eucalipto para produção de lenha.

Segundo Obetine, no dia da abordagem, os policiais estariam à procura de outro produtor rural — proprietário da área onde Both alugava uma casa e um galpão. Ele também questiona em que condições foi autorizada a entrada da viatura da Brigada em uma área interna da propriedade.

A informação também foi confirmada pela Brigada Militar.

“Pelo menos cinco ou seis pessoas, esses policiais interpelaram e perguntaram sobre esse agropecuarista, proprietário das lavouras e do local”, afirmou o advogado

A defesa da família afirma que as câmeras de segurança da propriedade registraram toda a movimentação. As imagens, que somam cerca de três horas, serão entregues à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Justiça Militar, caso necessário. O material está sendo analisado por um técnico para aprimoramento do áudio e da qualidade visual.

“Seu Valdemar recebe eles (os policiais) sorrindo nas imagens que achamos. Essas imagens serão disponibilizadas às autoridades. A princípio, tem áudio na câmera. E isso vai ser possível perceber, por exemplo, se ele pega o machado, com a melhora no áudio e imagem. Se foi legítima defesa, a família quer saber e vai entender também. Foi desastrosa a ação. Não quero condenar ninguém, mas foi desastrosa”, declarou Obetine.

O advogado destacou que a abordagem poderia ter sido feita de forma mais pacífica. “Acredito que poderiam ter acalmado ele. Poderiam ter tido outra abordagem, tentado acalmar ele. Pedido para chamar um vizinho ou conversar com um advogado.”

Obetine também questionou o uso de armamento letal pelos policiais, quando havia, segundo ele, a possibilidade de recorrer a meios não letais. “Eu concordo com o fato de que nenhum brigadiano sai para matar. Tenho certeza que aqueles dois policiais gostariam de estar de volta para casa no final do turno. Mas se eles têm esse tipo de armamento não letal, por que não estavam usando? (…) A ação em si pode ter diversos erros. Acredito que precisa ser investigado com imparcialidade. É um inquérito muito caro para a sociedade.”

O advogado afirma que ainda não teve acesso aos laudos oficiais e que aguarda contato da Polícia Civil. “Não tive acesso ao laudo ainda. Não posso afirmar que foi legítima defesa por conta dessas coisas. O que vai determinar vai ser esse laudo da necropsia. Vou pedir acesso aos laudos para autoridade policial. A família dele quer uma resposta. Até agora, nem a Polícia Civil nem a Brigada Militar entraram em contato comigo. Quem entrou em contato fui eu agora de manhã (de sexta).

Obetine relatou o que se vê nas imagens do momento da morte. “Ele entra gesticulando, esbravejando, xingando, sendo mal-educado com os policiais. Se ele pega alguma coisa na mão, só quem sabe isso são os policiais que estão vivos e o seu Valdemar que está no cemitério. Ele chuta uma caixa e dá um barulho forte. Temos um disparo, seu Valdemar grita, e mais dois disparos. Ele grita e cai morto. Fica tudo em silêncio.”

Mesmo reconhecendo o momento de tensão, o advogado mostrou empatia pelos policiais envolvidos. “Tenho certeza que esses policiais também não estão dormindo, que eles têm família e estão passando por uma situação extremamente difícil.”

Segundo Obetine, Valdemar trabalhava apenas com eucalipto e possuía licença para operar as motosserras. “Ele não tinha nenhuma madeira protegida por lei, somente eucalipto. As motosserras tinham licença.”

Ele também revelou ter recebido relatos de outros produtores rurais que se queixam de abordagens “rudes” por parte de policiais: “Diversos produtores entraram em contato dizendo que alguns policiais entram nas propriedades como se fossem criminosos, são rudes com os proprietários.”

Valdemar Both estava a dois anos de se aposentar. Segundo o advogado, ele economizava dinheiro para situações de emergência e planejava voltar a morar em Vista Gaúcha, no Norte do Rio Grande do Sul.

A Polícia Civil segue investigando o caso. Até o momento, não há laudos divulgados oficialmente e os policiais envolvidos seguem afastados preventivamente.

Maicon Schlosser

Jornalista

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