O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, fez um alerta contundente nesta sexta-feira (11) ao comentar os impactos da tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros: “Muitas indústrias do Rio Grande do Sul vão acabar fechando caso essa medida continue”. Segundo Bier, a medida coloca em risco companhias cuja dependência do mercado americano é superior a 95% do total exportado.
Durante visita ao Correio do Povo, Bier destacou que o cenário é de “perde-perde”, afetando tanto o Brasil quanto os Estados Unidos. “Temos 200 anos de relações comerciais com os EUA e não podemos perdê-las de uma hora para outra. O grande prejudicado é o Brasil, mas os Estados Unidos também precisam de nossa matéria-prima”, afirmou. A Fiergs articula, junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma reunião com todas as federações estaduais para buscar uma saída negociada.
O dirigente industrial criticou a radicalização política e defendeu que o empresariado atue como mediador para restabelecer o diálogo. Ele reconheceu a intenção do presidente Lula de se reunir com o setor, mas alertou que buscar novos mercados, como a China, não é tarefa simples: “Eles compram nossa soja e minério, mas não têm interesse nos nossos produtos manufaturados. Temos que tentar manter a relação com os EUA, com cabeça fria e sem botar mais lenha na fogueira”.
Em nota divulgada na quinta-feira (10), a Fiergs já havia expressado preocupação com a medida unilateral de Trump, argumentando que decisões desse tipo comprometem a previsibilidade e a estabilidade das relações comerciais, prejudicando diretamente a competitividade da indústria gaúcha. A entidade reafirmou seu compromisso com o livre comércio, o diálogo internacional e a segurança jurídica para as empresas exportadoras do estado.



