Em publicação nas redes sociais neste domingo (13), intitulada “O que falta para o Brasil ser a Terra Prometida do Ocidente”, o ex-presidente Jair Bolsonaro comentou a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil e atribuiu a medida a uma perda de alinhamento ideológico entre os países. A declaração foi feita em tom crítico ao atual governo e em apoio ao presidente americano Donald Trump.
Segundo Bolsonaro, a carta de Trump — divulgada recentemente e endereçada a ele — “tem muito mais, ou quase tudo, a ver com valores e liberdade do que com economia”. Ele também afirmou não se alegrar com as sanções, que afetam tanto “produtores do campo ou da cidade” quanto “o povo”.
“O tempo urge”, alertou o ex-presidente, destacando que as tarifas entram em vigor no dia 1º de agosto. Bolsonaro ainda insinuou que a solução estaria nas mãos das autoridades brasileiras: “Em havendo harmonia e independência entre os Poderes, nasce o perdão entre irmãos e, com a anistia, também a paz para a economia”.
Em outras palavras, Bolsonaro condiciona a reversão das tarifas à concessão de anistia — tese que vem sendo defendida abertamente por seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Desde que as tarifas foram anunciadas, Eduardo assumiu publicamente sua participação nas articulações com aliados de Donald Trump e chegou a declarar que os brasileiros deveriam “agradecer a Trump” pelas sanções, ao mesmo tempo em que apontou a anistia como única alternativa para restaurar as relações.
Em outro trecho, ele mencionou declarações recentes de autoridades americanas, segundo as quais os Estados Unidos não mais financiam países que se afastassem de valores defendidos pelos norte-americanos. “Há pouco seu vice disse na Europa, que não mais colocaria recursos do contribuinte americano para defender países que deixaram de lado valores comuns a seus povos”, escreveu. Sem citar diretamente o governo Lula, Bolsonaro indicou que o Brasil estaria entre esses casos.
Ao mencionar falas do vice-presidente americano, sem citar nomes, Bolsonaro ainda reforçou a ideia de que a política externa dos EUA estaria condicionada a “valores comuns aos seus povos”, em uma crítica indireta à condução diplomática do governo Lula.
Ao apresentar sua visão sobre o que falta para o Brasil se tornar a “Terra Prometida do Ocidente”, Jair Bolsonaro não faz menção a reformas estruturais, crescimento econômico sustentável, soberania diplomática ou estabilidade institucional. Em vez disso, condiciona esse ideal a um gesto político específico: a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e para si mesmo.



