O que começou como piada entre analistas de mercado se tornou um símbolo da incerteza nas relações comerciais internacionais: a sigla TACO, abreviação de Trump Always Chickens Out (“Trump sempre amarela”), voltou a circular com força em meio às recentes ameaças tarifárias do ex-presidente dos Estados Unidos contra o Brasil.
Criada para ironizar os recuos frequentes de Donald Trump após anúncios de tarifas agressivas, a expressão ganhou ainda mais notoriedade quando uma repórter a mencionou durante entrevista na Casa Branca, provocando irritação do ex-presidente. “Eu ‘amarelo’? Nunca ouvi isso”, respondeu Trump. “Você chama isso de amarelar? Isso é negociação.”
Apesar do tom desafiador, o histórico do “fator TACO” é extenso. Segundo a imprensa internacional, Trump já recuou ou suavizou tarifas em pelo menos dez ocasiões, incluindo medidas contra União Europeia, China, Canadá, México e até sobre produtos como vinhos, automóveis e iPhones. Só nos últimos meses, ameaças de tarifas de 50% contra a Europa foram postergadas duas vezes após reação negativa dos mercados.
No caso do Brasil, a nova rodada de ameaças, que veio acompanhada de uma carta oficial enviada ao presidente Lula, acendeu o alerta entre produtores e exportadores — principalmente nos setores de aço, alumínio, automóveis e bens industriais. As declarações de Trump derrubaram a Bolsa brasileira e fizeram o dólar ultrapassar os R$ 5,60, refletindo o temor de perda de competitividade internacional.
Mesmo com o histórico de recuos, os empresários brasileiros não estão pagando para ver. Muitos já aceleram a produção e o envio de mercadorias ao exterior para tentar escapar do impacto de uma possível tarifa. A antecipação de entregas tem sido adotada como estratégia em setores agrícolas e industriais, numa corrida contra o relógio para evitar custos adicionais caso as sanções se concretizem.
Enquanto isso, o “efeito TACO” se tornou, paradoxalmente, a principal esperança para o Brasil: que Trump recue mais uma vez e, como em outras ocasiões, transforme ameaças em “negociação”. Até lá, o setor produtivo segue em alerta máximo — e em ritmo acelerado.



