A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou quatro policiais da Brigada Militar pela morte de Geovane Matias Maciel, de 29 anos, baleado com dois tiros enquanto estava rendido e algemado, em 4 de março deste ano, no município de Bom Jesus, na Serra gaúcha.
O soldado Emerson Brião, autor dos disparos, foi indiciado por homicídio qualificado — por dificultar a defesa da vítima — e por fraude processual, com base na Lei de Abuso de Autoridade. Ele está preso preventivamente em uma unidade militar na Capital.
Também foram indiciados por fraude processual e prevaricação o sargento André Remonti e os soldados Jeremias Pezzi Paim e Bruno Moojen Souza Ramos, por participarem da tentativa de alterar a cena do crime e sustentar uma versão falsa dos fatos.
Inicialmente, os policiais alegaram legítima defesa, afirmando que Maciel, que estava foragido por violência doméstica, teria reagido à abordagem com uma faca. Em depoimento, o próprio Brião relatou que foi atacado:
“Atirei para me defender de um golpe de faca”, disse o soldado à Polícia Civil.
No entanto, um vídeo enviado anonimamente ao Ministério Público desmentiu a versão. As imagens mostram Geovane com as mãos algemadas para trás no momento em que foi atingido pelos disparos. A gravação levou à abertura de um novo inquérito pela Delegacia de Vacaria, que contou com perícias em balística, necropsia, imagens e oitivas.
A investigação concluiu que a versão apresentada pelos policiais era inverídica. Segundo a Polícia Civil, os agentes “alteraram a cena do crime e forneceram informações incorretas” sobre a abordagem.
Apesar do vídeo, a defesa dos policiais sustenta que as imagens não mostram o contexto completo.
“O vídeo não mostra todo o desdobrar nem o fato anterior. Existem circunstâncias complexas que não se provam apenas com um recorte”, afirmou a defesa.
Geovane Maciel tinha mandado de prisão por violência doméstica e era suspeito de ter incendiado a casa da ex-companheira dois dias antes de morrer. Também havia passagens por furto e atos infracionais quando adolescente, incluindo um latrocínio.
A Corregedoria da Brigada Militar apura o caso em paralelo, e o Inquérito Policial Militar segue em andamento.



