Moradores do interior de São Borja seguem enfrentando uma situação crítica quase dois meses após o forte temporal que destelhou diversas casas na região. Mesmo com promessas da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, parte da população afetada ainda não recebeu as telhas necessárias para reconstruir seus lares. Enquanto isso, famílias vivem sob lonas pretas, à mercê do tempo e da insegurança.
A reportagem do Fronteira 360 já havia alertado para o problema há três semanas, quando moradores relataram que continuavam desassistidas. “Continua na mesma situação, sem as telhas”, afirmou Aline Brasil Fontoura, moradora de uma das regiões atingidas. O cenário, no entanto, permanece o mesmo ou até pior.
Neste sábado (19), novos relatos chegaram à redação, denunciando não apenas a demora na entrega dos materiais, mas também uma suposta distribuição irregular. Segundo Aline Brasil Fontoura, há casos de pessoas que não precisam, mas mesmo assim receberam as telhas, enquanto outras, em situação de vulnerabilidade, foram deixadas de fora.
A denunciante enviou fotos que mostram pilhas de telhas em frente a casas aparentemente cobertas com tetos de zinco, o que reforça, segundo ela, a falta de critérios na distribuição do material. “As telhas estão montadas na casa de quem não precisa… botaram zinco e ainda pegaram telha. Quem realmente precisa, não ganhou. Está muito errado”, afirmou. Ela também encaminhou um vídeo em que é possível ver um buraco no teto da casa — causado pelo temporal — por onde a água da chuva continua entrando, agravando ainda mais a situação.
Ela ainda destacou que sua sogra, idosa e doente, aguarda o material para poder viver com dignidade. “Ela está tratando a diabetes para poder ser operada da vista… já está quase sem enxergar. É uma falta de respeito com ela, né? Já é uma pessoa idosa”, afirma, com indignação.
A situação foi levada ao plenário da Câmara de Vereadores de São Borja no início do mês. O vereador Valério Cassafuz (PDT) confirmou o drama enfrentado pelos moradores: “Tem pessoas que ainda não receberam as telhas, que desde aquele momento crucial, continuam aguardando.”
Já o vereador Cardial (PP) explicou que houve um déficit no envio dos materiais: apenas 800 folhas de brasilite chegaram ao município, enquanto a estimativa era de mil. Ele afirmou que a Câmara destinou R$ 20 mil para a compra de 250 folhas, e a Prefeitura se comprometeu com outras 500. “De forma que nenhuma casa vai ficar faltando”, garantiu.
Na prática, entretanto, as promessas não se concretizaram — e a população, já afetada pelas perdas materiais, agora se sentem abandonadas pelo poder público. “O Prefeito não dá uma resposta, não fala nada”, lamenta.
Enquanto a distribuição das telhas não é regularizada e fiscalizada, o sofrimento dos moradores do interior só aumenta. E a cada chuva, a incerteza se renova.



