Desde o dia 1º de agosto, todos os radares das rodovias federais brasileiras foram desativados por falta de orçamento, uma medida que já gera forte repercussão e preocupação entre especialistas em segurança viária. A decisão atinge cerca de 47 mil quilômetros de estradas, comprometendo o monitoramento do trânsito em todo o país.
O corte de 88% no orçamento do Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade (PNCV) inviabilizou a continuidade dos contratos. Segundo o DNIT, seriam necessários R$ 364 milhões para manter o sistema até o fim do ano, mas apenas R$ 79,6 milhões foram disponibilizados, somando a verba da LOA com suplementações.
A Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Tráfego (Abeetrans) considera a medida uma ameaça direta à vida de motoristas e pedestres e promete acionar a Justiça, caso os radares não sejam religados. A entidade lembra que o excesso de velocidade é a principal causa de mortes nas estradas, segundo a OMS.
Em 2024, o Brasil registrou 34 mil mortes e cerca de 200 mil pessoas com sequelas em acidentes rodoviários. O impacto econômico também é severo: os sinistros geram R$ 22,6 bilhões por ano à sociedade, de acordo com o Ipea.
Além da função preventiva, os radares garantem uma arrecadação média de R$ 1,1 bilhão por ano em multas, dinheiro que, desde 2023, passou a ser redirecionado para despesas administrativas do DNIT — o que agravou ainda mais a crise do programa.
Atualmente, 21 contratos cobriam cerca de 2 mil faixas de rodovias nas 27 unidades da federação. A expectativa era expandir para 4,7 mil faixas, mas o plano foi suspenso. O governo federal ainda tenta negociar uma recomposição orçamentária com a Casa Civil e o Ministério dos Transportes. Se não houver acordo, a paralisação pode configurar descumprimento judicial.
“É impossível proteger quem trafega sem os radares operando integralmente”, alertou Sílvio Médici, presidente da Abeetrans.
A imagem dos painéis desligados nas estradas já se tornou símbolo de uma decisão que, para muitos, coloca vidas em risco.



