Uma descoberta inesperada em Cerro Largo, município gaúcho com cerca de 14 mil habitantes, chamou a atenção de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Trata-se do crânio de uma múmia egípcia, batizada de Iret-Neferet, que estava exposta em um pequeno museu local e que só começou a ser estudada em 2017.
A peça, trazida provavelmente na década de 1950, passou por uma bateria de testes para determinar suas origens e revelar detalhes sobre a vida da mulher mumificada. Segundo o coordenador do Grupo de Estudo Identidade Afro-Egípicas da PUCRS, Édison Hüttner, a múmia sempre despertou interesse: “Percebi a potencialidade do material”, disse ele à revista Galileu.
Os exames indicam que Iret-Neferet tinha cerca de 40 anos quando morreu e viveu entre os anos 768 e 476 a.C., período que engloba o Intermediário III (1070-712 a.C.) e o começo do Período Tardio (Saíta-Persa: 712-332 a.C.) do Egito Antigo. O estudo utilizou o método de radiocarbono (Carbono 14) para estimar a idade da múmia.
Além do crânio, os pesquisadores identificaram características típicas das múmias egípcias, como o olho calcificado e a marca de perfuração no nariz, que indicam a remoção do cérebro no processo de mumificação. Iret-Neferet foi encontrada envolta em 22 faixas de linho e seda e com vários fios de cabelo, reforçando a autenticidade de sua origem.
A descoberta é considerada rara e importante, mostrando que até mesmo pequenas cidades do interior do Rio Grande do Sul podem abrigar peças arqueológicas de valor histórico internacional.



