O real ocupa a terceira posição entre as moedas que mais se valorizaram frente ao dólar em 2025, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. De 1º de janeiro a 21 de agosto, a moeda brasileira registrou alta de 12,94% em relação à divisa norte-americana, ficando atrás apenas do rublo russo (37,13%) e da coroa sueca (14,66%).
O desempenho ocorre mesmo em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao país. Apesar da medida, considerada um abalo nas relações comerciais bilaterais, o real manteve trajetória de valorização.
Outro estudo, da agência de classificação de risco Austin Rating, aponta que a moeda brasileira vem em escalada ao longo do ano. Em maio, ocupava a quarta posição entre as que mais se fortaleceram frente ao dólar, com ganho acumulado de 10,1%.
Diferencial de juros sustenta atratividade
Nesta sexta-feira (22/8), o dólar registrou queda firme após o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sinalizar a possibilidade de corte de juros na próxima reunião, em setembro. Pela manhã, a moeda americana era negociada a R$ 5,43. No acumulado de 2025, o real apresentava valorização de 14,22% frente ao dólar.
De acordo com especialistas, a principal explicação para o movimento é o diferencial de juros. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o Brasil continua atrativo para investidores estrangeiros em busca de rendimento em renda fixa, especialmente diante da expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos.
“O real se beneficia do diferencial de juros em relação a economias desenvolvidas, o que mantém o país atrativo para fluxo de capital estrangeiro”, afirma Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.
Além disso, fatores como o saldo positivo da balança comercial, impulsionado pelo agronegócio e pela mineração, também contribuem para a entrada de dólares no país. “Mesmo com o aumento de tarifas dos EUA, os fundamentos domésticos e o interesse de investidores em mercados emergentes com retornos mais altos deram suporte à moeda brasileira”, analisa Gusmão.
Apesar do cenário favorável, o especialista ressalta que o câmbio é volátil. “A continuidade da valorização do real dependerá do cenário internacional, especialmente da evolução das disputas comerciais entre EUA e China, e também de fatores internos, como expectativas fiscais e a trajetória da política monetária no Brasil”, pondera.



