Neste domingo (24), completam-se 71 anos da morte de Getúlio Vargas, episódio que marcou a história do Brasil e transformou a data em um símbolo de homenagens ao “Pai dos Pobres”. O gaúcho de São Borja, que tirou a própria vida em 1954 para impedir um golpe em curso, segue sendo lembrado por seu papel na modernização do país e na defesa dos trabalhadores.
A véspera da data foi marcada por um ato político em São Borja: o “Encontro Trabalhista”, promovido pelo PDT, reuniu lideranças como o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, o deputado federal Pompeo de Mattos e a candidata ao governo do Estado Juliana Brizola.
O evento reforçou o caráter simbólico da cidade natal de Getúlio como espaço de memória e resistência.
Entretanto, neste 24 de agosto, além das lembranças e homenagens, cresce também a indignação de historiadores e de entidades de preservação patrimonial diante do estado de abandono do Museu Casa Getúlio Vargas.
A precariedade da estrutura — já denunciada em reportagens do Fronteira 360 — tem mobilizado grupos como o Ação Borjense, que apontam risco de perda irreversível do patrimônio histórico.
O descaso atual chama ainda mais atenção porque o museu passou por um processo de revitalização concluído em 2015, após 18 meses de obras.
Na época, foram investidos mais de R$ 2,5 milhões, provenientes de recursos da Prefeitura e de uma empresa de geração de energia elétrica, via lei de incentivo à cultura.
Os trabalhos contemplaram a recuperação de pisos, forros, rebocos, pinturas e trincos, com o objetivo de devolver à casa seu aspecto original e criar um ambiente qualificado para reflexões sobre uma das fases mais importantes da história do Brasil, além de garantir melhores condições de preservação ao acervo.
No entanto, dez anos depois, o que se vê é um contraste alarmante entre o investimento realizado e a situação atual do espaço, que voltou ao estado anterior ou até piorou.
A porta de entrada ameaça desabar, infiltrações avançam pelas paredes, o piso está danificado pela umidade e parte do acervo encontra-se em risco.
O cenário levanta questionamentos sobre a responsabilidade do poder público local na preservação de um dos mais importantes marcos da memória nacional.
Após pressão popular, a Prefeitura anunciou em junho a destinação de quase R$ 1 milhão, via emenda parlamentar do senador Luiz Carlos Heinze (PP), para a reforma do museu.
No dia 17 de junho, o prefeito de São Borja José Luiz Rodrigues Machado se reuniu com representantes do IPHAE para discutir o alinhamento das etapas das reformas, que devem começar com a abertura de licitação para a contratação de empresa responsável pelos trabalhos.
Porém, dois meses depois, não houve a apresentação de qualquer plano de trabalho ou novidades em relação ao processo, o que reforça a percepção de abandono.
A situação preocupa porque, em 2026, São Borja integrará as celebrações dos 400 anos das Missões Jesuíticas, evento que deve atrair um grande fluxo de turistas à região. Para historiadores e defensores da memória, se nada for feito, o museu dedicado a Getúlio Vargas pode se tornar não apenas um retrato da história, mas também um exemplo vivo do descaso com o patrimônio cultural brasileiro.



