O caso de maus-tratos contra o cavalo “Gaúcho” em Bananal (SP) revelou-se ainda mais cruel com a divulgação do laudo do Instituto de Criminalística, ao qual o g1 teve acesso. O documento confirma que o animal estava vivo quando teve as patas decepadas pelo tutor e que havia sido levado à exaustão durante uma cavalgada antes de tombar no chão.
Segundo a perícia, Gaúcho, um macho jovem de 8 a 10 anos, percorreu cerca de 14 quilômetros em terreno íngreme, sem preparo físico para suportar o trajeto. O cavalo apresentou sinais da chamada síndrome de exaustão, caracterizada por desidratação, perda de eletrólitos e hipertermia, quadro que pode levar a paradas cardiorrespiratórias. O laudo ressalta que o animal só chegou ao “total desfalecimento” porque foi forçado até o extremo. Além das patas mutiladas, foram encontradas 17 lesões espalhadas pelo corpo, entre laterais, tórax e abdômen.
A perícia concluiu que o cavalo estava em sofrimento deliberado, classificando a situação como maus-tratos por parte do tutor. Com base nessas provas, o Ministério Público de São Paulo denunciou Andrey Guilherme Nogueira de Queiroz, de 21 anos, pelo crime ambiental, chamando o ato de “cruel e covarde”. Até esta quinta-feira (28), a Justiça ainda não havia avaliado a denúncia, e o acusado seguia em liberdade.
Na semana passada, Queiroz confessou ter mutilado o cavalo, mas alegou que o animal já estava morto no momento da ação. A versão, no entanto, é contradita pelo laudo oficial. Ele disse estar arrependido e declarou que estava “embriagado e transtornado” ao cometer a mutilação. O g1 tenta contato com a defesa do jovem, mas até agora não obteve resposta.



