O especialista em história das Missões e Mestre em Patrimônio Histórico, Fernando Rodrigues e Celso Dornelles, integrante do Grupo Ação Borjense e defensor do patrimônio público, estiveram nesta sexta-feira (29) no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), em Porto Alegre, para protocolar dois requerimentos considerados estratégicos para a preservação da memória regional.
O primeiro solicita vistoria e acompanhamento técnico nos museus Getúlio Vargas e Casa Memorial João Goulart, ambos em São Borja, que apresentam sinais de deterioração estrutural. O segundo pede a abertura de processo para tombamento do imaginário missioneiro em nível estadual, abrangendo 48 cidades.
Segundo Fernando Rodrigues, os problemas mais urgentes estão relacionados a infiltrações e falhas de conservação. “No caso do Museu do Jango, há infiltrações e desgaste na pintura. Já no Museu Getúlio Vargas, a situação se arrasta há nove anos: começou com infiltrações, depois houve a queda da platibanda, e o espaço segue abandonado, apesar de promessas do Poder Público. O próprio diretor reconheceu a gravidade e destacou a importância da mobilização para dar força a esse processo de recuperação”, afirmou.
O pedido de tombamento estadual visa proteger todo o acervo imagético missioneiro, patrimônio presente em dezenas de municípios da região, incluindo São Borja. Fernando ressaltou que a iniciativa acompanha as comemorações dos 400 anos das Missões Jesuíticas e criticou a negativa anterior do IPHAN, que considerou o patrimônio representado apenas por três imagens preservadas em São Luiz Gonzaga. “É uma forma de reconhecimento e valorização dessa produção e desse legado, que é patrimônio da humanidade”, disse.
Dornelles destacou que os requerimentos buscam também a restauração e ampliação dos dois museus, que preservam memórias pessoais e capítulos decisivos da história política e social do Brasil.
Agora, caberá ao IPHAE avaliar os pedidos. Para Fernando e Dornelles, o gesto simboliza não apenas uma luta pela preservação de prédios e obras, mas também a defesa da memória de figuras que marcaram a história nacional e da riqueza cultural missioneira que ultrapassa fronteiras regionais.



