O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não vai comparecer presencialmente nesta terça-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para o primeiro dia de julgamento da ação que apura a tentativa de golpe de Estado.
Segundo o advogado Celso Vilardi, Bolsonaro avaliou ir ao tribunal, mas sua condição de saúde o impediu. “Ele não está bem [de saúde]”, disse o defensor, explicando que o ex-presidente sofre com vômitos e crises de soluços em razão de esofagite e gastrite.
Como cumpre prisão domiciliar, Bolsonaro precisaria de autorização prévia do ministro Alexandre de Moraes para se deslocar, além de escolta policial e monitoramento integral durante o trajeto.
Ainda há possibilidade de que peça para acompanhar presencialmente os próximos dias de sessão.
O julgamento reúne o chamado “núcleo crucial” do plano golpista, formado por ex-ministros e generais de quatro estrelas da reserva. Apesar da relevância do caso, a maioria dos réus também não deve comparecer ao STF.
O tenente-coronel Mauro Cid, delator no processo, não irá. Generais como Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier devem acompanhar apenas pela TV.
Já Braga Netto, ex-ministro da Defesa e único preso preventivamente desde dezembro, está detido em uma unidade militar no Rio de Janeiro e só poderia vir mediante autorização especial.
A Primeira Turma do STF reservou sessões extraordinárias até 12 de setembro para concluir a análise. A defesa de Bolsonaro afirma que sua estratégia será “verdadeira” e centrada em “pontos jurídicos”.
Entre os acusados, os crimes em julgamento incluem organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, além de danos qualificados contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, foi o único a sinalizar interesse em comparecer presencialmente ao julgamento.



