A ministra de Segurança Nacional da Argentina, Patricia Bullrich, provocou polêmica ao solicitar à Justiça que os jornalistas responsáveis pela divulgação de áudios envolvendo Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei e secretária-geral da Presidência, fossem investigados pela polícia. O pedido, feito por meio de um documento oficial do Ministério da Segurança, foi apresentado à imprensa na noite desta segunda-feira (1º).
Durante entrevista a uma emissora de TV argentina, Bullrich tentou negar a solicitação, mas foi desmentida ao vivo. “Não pedimos nada. Não, não, não”, afirmou à reportagem do jornalista Pablo Rossi, enquanto entregava uma pasta contendo a própria denúncia. Rossi leu trechos do documento que pediam “busca e apreensão nos escritórios e estúdios da Carnaval Stream e nas residências de Franco Bindi, Jorge Rial, Pablo Toviggino, Mauro Federico e quaisquer outras partes envolvidas”. Mesmo após a leitura, a ministra insistiu em minimizar a ação: “Não. Estamos solicitando a produção de provas. A Justiça pode decidir o que quiser”.
A ação judicial também impede a divulgação dos áudios gravados na Casa Rosada, sob alegação de que poderiam afetar a “privacidade e a honra” de Karina Milei, além da “segurança institucional” do país. A decisão da Justiça resultou em censura prévia, impedindo que novas gravações fossem publicadas.
Os áudios atribuídos a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), geraram denúncias de suposto esquema de propina envolvendo Karina Milei e seu assessor Eduardo “Lule” Menem na compra de medicamentos pelo Estado. Spagnuolo, ex-aliado e advogado pessoal de Milei, foi demitido após o episódio. O governo alega que as gravações fazem parte de uma “operação ilegal de inteligência” com o objetivo de desestabilizar o país, supostamente envolvendo jornalistas e agentes de inteligência estrangeiros.
Jornalistas argentinos, no entanto, denunciam censura prévia e questionam a tentativa do governo de controlar a cobertura midiática. Karina Milei ainda não se pronunciou sobre o caso, enquanto o presidente Javier Milei rejeitou as acusações, afirmando que tudo o que Spagnuolo disse é mentira e prometendo levar a questão à Justiça.



