A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, nesta quarta-feira (3), no STF (Supremo Tribunal Federal), que ele tenha tentado impedir a transmissão de cargo para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 ou planejado um golpe de Estado.
O criminalista Celso Vilardi afirmou que Bolsonaro foi “dragado” aos atos do 8 de Janeiro, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Ele também reiterou a tese de que a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente, teve “vício de vontade” e deveria ser anulada.
Segundo a defesa, Bolsonaro autorizou sua equipe a participar da transição de governo e sempre atuou dentro da legalidade. Vilardi disse ainda que houve uma “sucessão inacreditável de fatos” na investigação conduzida pela Polícia Federal e apontou a delação de Cid e a minuta golpista como o “epicentro” da acusação.
“Não tem um e-mail, não tem uma comunicação, não tem uma pessoa que atrele o presidente ao 8 de Janeiro, ao plano Punhal [verde e amarelo], não tem nada. A denúncia está baseada num general que imprime uma minuta no Palácio e no mesmo dia vai ao Alvorada. Essa é a prova? Não existe absolutamente nada”, afirmou o advogado.
Vilardi também criticou o volume de documentos apresentados pela PF, alegando que o material inclui “trechos recortados de conversas de WhatsApp, papéis e agendas encontrados em computadores e dezenas de celulares”, sem provas diretas contra Bolsonaro. Ele classificou como “pueril” a ideia de que o ex-presidente teria deixado uma minuta golpista em cima da mesa antes de viajar para os Estados Unidos.
A defesa reclamou ainda do tempo reduzido para análise do processo, argumentando que bilhões de documentos foram disponibilizados e que a instrução durou menos de 15 dias. “Houve cerceamento de defesa”, sustentou Vilardi.
Bolsonaro não acompanhou o julgamento presencialmente. Segundo seu advogado, ele enfrenta problemas de saúde, como crises de soluços e vômitos causados por esofagite e gastrite. Em prisão domiciliar, qualquer deslocamento ao Supremo dependeria de autorização prévia do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Após as sustentações das defesas, os ministros da Primeira Turma do STF iniciaram a votação. Como o colegiado é formado por cinco magistrados, bastam três votos para formar maioria. Moraes será o primeiro a se manifestar.



