A Polícia Civil prendeu preventivamente, nesta sexta-feira (5), o homem suspeito de assassinar e esquartejar a namorada, deixando parte do corpo dela em uma mala na rodoviária de Porto Alegre. O crime ganhou contornos ainda mais chocantes após a confirmação de que o investigado já havia sido condenado, em 2018, por matar a própria mãe e concretar o corpo dela dentro de um armário em um apartamento no bairro Mont’Serrat, na capital gaúcha.
O suspeito é o publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos. Pelo crime contra a mãe, ele foi sentenciado a 28 anos de prisão, mas obteve progressão para o regime semiaberto em 2024. Agora, volta a ser apontado como autor de um homicídio brutal.
De acordo com a polícia, Jardim confessou ter desmembrado o corpo da namorada, de cerca de 50 anos, cuja identidade não foi divulgada. Os braços e pernas da vítima foram localizados em 13 de agosto no bairro Santo Antônio, na zona Leste da cidade. Dias depois, em 20 de agosto, o tronco foi encontrado no guarda-volumes da rodoviária, após funcionários sentirem forte odor vindo da bagagem. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou, por DNA, que os restos pertencem à mesma pessoa.
De acordo com o delegado Mario Souza, diretor do Departamento de Homicídios, o suspeito é “extremamente educado, frio e aparentemente muito inteligente”. Ele teria escolhido locais distintos e datas diferentes para descartar os restos mortais, em uma tentativa de desafiar as autoridades. “Parecia que ele estava querendo controlar os atos do estado e estar um passo à frente da polícia”, afirmou Souza.
As câmeras de segurança da rodoviária registraram o momento em que o homem, usando boné, luvas, óculos e máscara, deixou a mala no guarda-volumes. Apesar do disfarce, novas imagens obtidas em um estabelecimento comercial, na zona Norte da cidade, revelaram o rosto dele quando abaixou a máscara. A partir disso, foi possível confirmar sua identidade.
A mala permaneceu 12 dias na rodoviária até ser aberta por funcionários após forte odor. Dentro, havia sacos plásticos que continham o tronco da vítima. O supervisor do setor relatou o momento da descoberta: “Quebrei o cadeado, estava com vários sacos plásticos pretos e vimos um tronco, que não era de animal. Acionamos a polícia na hora”.
Para a Polícia Civil, o suspeito queria “afrontar a sociedade” e chegou a adotar estratégias para confundir os investigadores, como fornecer dados falsos no cadastro do guarda-volumes e possivelmente realizar denúncias anônimas para despistar o trabalho policial. O crânio da vítima ainda não foi localizado, e a data exata do homicídio depende de laudos complementares do IGP.
A investigação segue em andamento para esclarecer se o homem contou com a ajuda de terceiros. “Estamos apurando se houve coautores, qual foi a participação exata dele em cada etapa do crime e se alguém auxiliou no transporte ou ocultação do corpo”, acrescentou o delegado Souza.
Com informações do G1 e do Correio do Povo.



