O futuro das ferrovias no Rio Grande do Sul voltou ao centro do debate político. Nesta semana, o deputado Tiago Cadó (PDT) protocolou a criação de uma Comissão Especial na Assembleia Legislativa para discutir os impactos do abandono da malha ferroviária e apontar soluções para uma nova concessão, já que o contrato da atual concessionária, Rumo, encerra em 2027. A proposta conta com o apoio de 37 parlamentares, número que supera os dois terços necessários, e será deliberada pela mesa diretora na próxima terça-feira (16).
Cadó lembra que, desde a concessão da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em 1996, mais de 1,5 mil quilômetros de trilhos foram desativados ou simplesmente desapareceram no território gaúcho. “São ferrovias abandonadas que geraram atrasos econômicos, prejuízos logísticos e problemas sociais. Precisamos discutir o futuro e trabalhar em parceria com o governo do Estado, instituições e o setor privado para estruturar um modal ferroviário eficiente ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul”, afirmou o parlamentar.
Segundo levantamento da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura (Camaralog), a ausência de investimentos no transporte ferroviário resulta em desperdício anual de aproximadamente R$ 12,3 bilhões em grãos durante o escoamento pelas estradas – valor que corresponde a 21,5% do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho.
O deputado também defende que a concessionária seja responsabilizada pela falta de investimentos. “É um dos maiores absurdos econômicos do Estado. Precisamos discutir não apenas a nova concessão, mas também a reparação pelo descaso e pelo abandono da infraestrutura ferroviária”, destacou.
A proposta, que ganhou espaço em veículos de comunicação como o jornal Zero Hora, também prevê o debate sobre novas possibilidades para integração logística, como a instalação de portos secos em Uruguaiana e São Borja, medida que poderia colocar o Rio Grande do Sul no radar de investidores internacionais, sobretudo asiáticos.
Com a proximidade do fim da concessão, o prazo é considerado curto para reverter décadas de sucateamento. “Quanto mais demorarmos, maior será a influência política sobre o tema. Precisamos de seriedade técnica e da união entre poder público e iniciativa privada para reconstruir esse modal estratégico”, concluiu Cadó.



