O Brasil perdeu neste sábado (13) um de seus maiores gênios musicais. Hermeto Pascoal, conhecido como “O Bruxo”, morreu aos 89 anos no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. A causa não foi divulgada. Ícone da música brasileira e referência internacional, o alagoano deixou uma obra marcada pela inventividade, pela improvisação e pela capacidade de transformar qualquer objeto em instrumento.
Nascido em Olho d’Água, povoado de Lagoa Grande (AL), em 1936, Hermeto iniciou sua trajetória profissional aos 14 anos. Compositor, arranjador e multi-instrumentista, transitou pelo jazz, samba, forró e frevo, mas rejeitava rótulos. Chamava sua criação de “música universal”, fruto de uma mente inquieta, como definiu em entrevista recente: “Nada de decorar as coisas. Só criar na hora, como a própria natureza”.
Sua genialidade foi reconhecida por nomes como Elis Regina e Miles Davis. Ao longo da carreira, lançou discos marcantes, colaborou com artistas no Brasil e no exterior e continuou ativo até os últimos anos. Em 2024, venceu o Grammy Latino com Pra Você, Ilza, homenagem à esposa falecida. Também ganhou biografia autorizada, Quebra Tudo — A Arte Livre de Hermeto Pascoal, escrita por Vitor Nuzzi.
Hermeto encantava plateias com a habilidade de extrair música de tudo: chaleiras, brinquedos, até o canto dos pássaros. Em 2023, no festival The Town, sob chuva intensa, mostrou mais uma vez a capacidade de transformar o improviso em espetáculo, reafirmando seu posto de lenda viva da música brasileira.
A família comunicou sua morte com serenidade, pedindo que o legado do artista seja celebrado com música: “Escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva”.
Hermeto deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos. Sua obra permanece como uma das mais originais e transformadoras da história da música.



