Gerick Cristian da Silva Vargas, 29 anos, foi morto a tiros por policiais militares na tarde de segunda-feira (15), no bairro Parque Santa Fé, em Porto Alegre. A Brigada Militar foi acionada pela mãe do jovem, que relatou que ele estava em surto psicótico. A ocorrência é investigada pela Polícia Civil e pela própria BM.
“Chamei ajuda, não para matar meu filho, e foi o que aconteceu. Atiraram no rosto dele, não sei quantos tiros. É um guri jovem”, disse Evolmara Vargas, emocionada.
De acordo com a versão da Brigada Militar, os agentes tentaram inicialmente conter Herick por meio de verbalização e com o uso de uma arma de incapacitação neuromuscular (taser), acionada duas vezes sem efeito.
Segundo o comandante do 20º BPM, tenente-coronel Tales Américo Osório, o homem teria investido contra os policiais: “A ação começa com uma conversa e depois há uma luta corporal. O rapaz se aproxima dos policiais e há, então, a utilização da arma de incapacitação neuromuscular do policial. Ao final, então, houve o uso da arma de fogo”.
O delegado Carlos Assis, responsável pela investigação preliminar, afirmou que houve “uso moderado da força”. Já a perícia deve confirmar quantos disparos atingiram o jovem, que, segundo familiares, foi baleado na cabeça. Um policial também se feriu durante a ocorrência.
O caso reacende o debate sobre a atuação da Brigada Militar em situações que envolvem pessoas em sofrimento mental. Um levantamento realizado pelo Sul21 mostra que, entre 2024 e 2025, 40 pessoas em surto psiquiátrico foram mortas por PMs em todo o país.
Com seis ocorrências em 2024, o Rio Grande do Sul esteve atrás apenas de Minas Gerais (9) e São Paulo (14). No recorte das mortes, empatou em segundo lugar com Minas, com quatro registros cada, atrás apenas de São Paulo, com sete.
E 2025, o cenário gaúcho segue a mesma tendência. Já são nove atendimentos a pessoas em surto, número superior ao de todo o ano passado. Foram três feridos — dois por taser e uma baleada com arma de fogo — e três mortes confirmadas: a de um homem em Novo Hamburgo, em 1º de janeiro, outro ainda neste mês, de um morador de Guaíba e agora a de Herick, em Porto Alegre.
Os dados revelam ainda que, proporcionalmente, a Brigada Militar é a mais letal entre as corporações dos três estados com maiores números. Minas Gerais apresentou taxa de letalidade de 44%, São Paulo de 50%, enquanto no Rio Grande do Sul dois em cada três atendimentos terminam em morte — índice de 66%.
Apesar dos números, a corporação admite não ter um protocolo específico para esses casos. “Não existe um curso específico para esse tipo de cenário”, reconheceu o coronel Jorge Dirceu, diretor do Departamento de Ensino da Brigada Militar. Para ele, não há necessidade de criar treinamento direcionado.
“Tu não tem como discernir se é uma pessoa em surto ou uma pessoa que realmente está cometendo aquele tipo de ocorrência”, afirmou. Hoje, o policial militar formado pelo DE gaúcho deve se basear, para atender este tipo de caso, em três áreas da formação: os cursos de Gerenciamento de Crise e Negociação de Reféns, além da disciplina de “Decisão de Tiro”, que ensina o momento de empregar a arma de fogo.
Com informações do G1 e do Sul21.



