A Corregedoria da Câmara dos Deputados recomendou nesta sexta-feira (19) a suspensão dos mandatos de três parlamentares da oposição envolvidos no motim que paralisou o plenário da Casa no início de agosto. O deputado Diego Coronel (PSD-BA), corregedor da Câmara, sugeriu 90 dias de afastamento para Marcos Pollon (PL-MS) — que pode chegar a 120 dias por somar outra punição — e 30 dias para Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC).
Além disso, Coronel pediu a aplicação de censura escrita a outros 14 deputados, entre eles Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Caroline de Toni (PL-SC), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Marco Feliciano (PL-SP). Segundo o corregedor, as conclusões se basearam nas imagens do sistema interno da Câmara e nas defesas apresentadas.
“Censura escrita” é uma punição prevista no Regimento Interno da Câmara dos Deputados.Ela funciona como uma advertência formal e registrada contra o parlamentar, aplicada quando a conduta é considerada inadequada, mas não chega a justificar suspensão do mandato.
“O papel da corregedoria é institucional. Atuamos com imparcialidade, analisamos cada conduta de forma individual e cumprimos nosso compromisso de agilidade, entregando o relatório em metade do prazo regimental”, afirmou Diego Coronel.
Os pedidos de suspensão seguirão agora para análise do Conselho de Ética e do plenário. Já a aplicação de censura escrita será avaliada pela Mesa Diretora da Casa.
O motim de agosto
O episódio ocorreu em 5 de agosto, quando deputados e senadores da oposição ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado para protestar contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Parlamentares como Pollon e Van Hattem impediram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de assumir sua cadeira, forçando a paralisação das atividades legislativas.
A ação incluiu pernoite de opositores nos plenários e exigências como a votação da anistia irrestrita aos condenados por tentativa de golpe de Estado e o impeachment de Moraes. O governo e aliados classificaram a ocupação como “chantagem” e ataque às instituições.
No dia seguinte, já à noite, Hugo Motta conseguiu abrir sessão após horas de obstrução, criticando a postura dos parlamentares e reforçando que manifestações devem respeitar o regimento interno da Casa.



