O Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou novas regras para jornalistas que cobrem o Pentágono, provocando forte reação de entidades ligadas à liberdade de imprensa. O documento de 17 páginas determina que qualquer notícia sobre o órgão deverá ser previamente aprovada por autoridades, mesmo quando não envolver informações confidenciais. Além disso, limita a circulação de repórteres desacompanhados pelos corredores do edifício.
O porta-voz Sean Parnell defendeu a medida como “básica, de senso comum”, argumentando que o objetivo é proteger dados sensíveis. Atualmente, 90 profissionais têm credenciamento no Pentágono, todos agora obrigados a assinar um termo de adesão às novas normas, sob pena de perder acesso às dependências.
As críticas se somam a decisões recentes do chefe do departamento, Pete Hegseth, que já havia suspenso credenciais de veículos tradicionais, como New York Times e NBC, substituindo-os por jornalistas de organizações alinhadas ao governo. Desde que assumiu o cargo, Hegseth concedeu apenas uma entrevista coletiva, após um ataque a uma usina iraniana, e tem acusado a imprensa de “sabotar” o Departamento de Guerra. Em rede social, escreveu: “A ‘imprensa’ não comanda o Pentágono. O povo que comanda”.
O cerceamento da cobertura jornalística não se restringe ao Pentágono. Na Casa Branca, um repórter da Associated Press foi descredenciado depois que a agência se recusou a adotar a nomenclatura “Golfo da América”, exigida pelo presidente Donald Trump para substituir “Golfo do México”. Nesta semana, Trump voltou a atacar a imprensa, sugerindo que empresas de comunicação críticas ao governo podem ter suas concessões suspensas. “Só recebo má publicidade e má cobertura da imprensa. Talvez a concessão deles devesse ser suspensa”, afirmou.
Diante do cenário, o Clube Nacional de Imprensa de Washington pediu a revogação imediata da política, lembrando que gerações de repórteres forneceram informações essenciais sobre guerras, gastos militares e decisões que afetam a vida de milhares de americanos. Segundo a entidade, tal transparência só foi possível porque os jornalistas puderam atuar sem depender de autorização governamental — condição que consideram vital para a democracia.



