Os protestos realizados neste domingo (21) contra a PEC da Blindagem e o projeto que concede anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro reuniram, em São Paulo, um público praticamente idêntico ao registrado em mobilizações bolsonaristas de 7 de setembro.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP, em parceria com a ONG More in Common, 42,4 mil pessoas estiveram presentes no auge da manifestação na Avenida Paulista, às 16h06. A estimativa, feita por meio de análise de imagens aéreas e software de contagem, tem margem de erro entre 37,3 mil e 47,5 mil pessoas.
A comparação com os atos do 7 de setembro de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chama atenção: segundo a mesma metodologia, a concentração naquele dia reuniu 42,2 mil pessoas na capital paulista, número praticamente idêntico ao registrado neste domingo.
Durante o protesto, manifestantes exibiram uma bandeira gigante do Brasil como contraponto ao bandeirão dos Estados Unidos mostrado por bolsonaristas no mesmo local duas semanas antes. Além disso, entoaram palavras de ordem contra a anistia e contra a proposta de blindagem parlamentar, apelidada por cartazes de “PEC da Bandidagem”.
Os atos deste domingo não se restringiram à capital paulista. Mobilizações foram registradas em todas as 27 capitais do país e em diversas cidades do interior, incluindo Juiz de Fora (MG) e municípios do Triângulo Mineiro. No Rio de Janeiro, o monitor da USP calculou média de 41,8 mil pessoas em Copacabana, número próximo ao público que compareceu ao ato bolsonarista no mesmo local em 7 de setembro.
Em Porto Alegre, milhares de pessoas marcharam do Viaduto do Brooklyn até o Largo Zumbi dos Palmares, em um percurso marcado por cartazes que chamavam a PEC de “bandidagem” e pediam respeito às instituições democráticas.
Convocados pelas redes sociais por movimentos de esquerda, os protestos respondem à aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados na última semana. O texto limita a abertura de processos penais contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF) e, somado ao projeto de anistia, se tornou alvo de forte contestação popular neste fim de semana.



