A Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã desta sexta-feira (26), o professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa, em Porto Alegre. Ele é investigado por suspeita de crimes sexuais e violência psicológica contra mulheres, ocorridos entre 2013 e 2025. Até agora, 13 mulheres procuraram a polícia para registrar ocorrência, e parte delas já prestou depoimento.
Segundo a delegada Fernanda Campos Hablich, responsável pelo caso, os relatos apresentam semelhanças e incluem denúncias de estupro, agressões durante relações sexuais e abusos psicológicos. As vítimas também passarão por perícia psicológica.
Uma das mulheres afirmou ter sido estuprada após uma festa: “Estuprada pela pessoa que eu mais confiava, admirava e tinha certeza de que eu estaria protegida. Eu achei que isso jamais iria acontecer, que eu seria vítima de algo tão grave. Com alguém da minha confiança, do meu respeito, do meu carinho”, relatou.
Outra vítima contou que sofreu violência física durante o relacionamento: “Eu fiquei machucada, com roxos pelo corpo. Eu fui sufocada. Me assustei. Fiquei sem ar. E a violência continuou. Eu levei um tapa muito forte no rosto. Quando eu me olhei no espelho no outro dia, estava toda machucada”.
Relatos de violência psicológica também fazem parte da investigação. Uma das mulheres disse que, no início, ele parecia ser “um príncipe”, mas que depois se transformava em um agressor: “Na hora do sexo, ele vira o olhar, vira uma chave e vira um monstro. Aí vem a manipulação, e é muito difícil identificar o que acontece”.
Conrado foi preso em casa e já estava sob medidas cautelares impostas pela Justiça do Rio Grande do Sul, como monitoramento eletrônico, retenção de passaporte e proibição de contato com vítimas e testemunhas.
Em nota publicada nas redes sociais, o professor negou as acusações, disse repudiar qualquer forma de violência contra a mulher e afirmou confiar que “a verdade dos fatos se sobressairá”. Já sua defesa argumentou que a prisão é “uma medida desproporcional”.
O advogado Paulo Fayet declarou: “Conrado vinha cumprindo rigorosamente todas as determinações judiciais. Diante disso, ingressaremos com pedido de Habeas Corpus junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Ressaltamos que ele ainda não foi ouvido, nem teve a oportunidade de apresentar suas provas”.
A advogada das vítimas, Gabriela Souza, declarou que a prisão representa “um primeiro alívio” para as mulheres que denunciaram. Já a OAB/RS anunciou a abertura de processo ético-disciplinar no Tribunal de Ética e Disciplina para apurar a conduta do advogado.
Na última semana, Conrado foi demitido da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), onde lecionava e coordenava cursos de pós-graduação. Em nota, a instituição afirmou que o desligamento ocorreu em caráter administrativo, sem juízo sobre eventuais responsabilidades externas.
Com trajetória reconhecida no campo do Direito de Família e autor de 18 obras, Conrado também presidiu a seção gaúcha do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM-RS). Agora, responde a um processo que pode redefinir sua carreira e imagem pública.



