Uma coletiva de imprensa realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) expôs os detalhes de um crime perturbador que ocorreu na Fronteira Oeste e ganha repercussão nacional. Um adolescente foi apreendido após confessar ter assassinado o próprio pai com um tiro na nuca, em um ato frio e calculado, motivado pelo desejo de se apropriar dos bens da vítima, segundo a investigação.
Segundo o delegado Adriano Linhares, responsável pelo caso, o jovem arquitetou cada passo do crime. Ele aguardou o momento exato, por volta das 6h da manhã, quando o pai se sentava na cama, e disparou com uma espingarda.
Com a ajuda de dois comparsas adultos, ocultou o corpo no mesmo dia e passou a desfrutar do patrimônio da vítima em festas, viagens e atos de ostentação. “Ele matou o pai como se fosse um animal. Planejou cada detalhe, comprou a arma, ensaiou como enganar os vizinhos. A frieza é chocante”, declarou o delegado.
A investigação revelou que, para afastar suspeitas, o adolescente chegou a inventar que o pai estaria preso no Uruguai.
Enquanto isso, vendia bens como o carro e até pneus, e usava o dinheiro para bancar uma rotina de excessos. “Esse crime é de cunho patrimonial. Matou, vendeu o que podia e seguiu a vida como se nada tivesse acontecido. Ele não apenas tirou a vida do pai, ele comemorou a morte”, acrescentou Linhares.
O envolvimento dos dois adultos na ocultação do cadáver também expôs a banalização da vida. Um deles teria recebido R$ 350 para fazer uma tatuagem no pescoço; o outro, dois pneus como pagamento pela ajuda. Ambos foram presos e permanecem em silêncio, enquanto a polícia investiga se participaram também do planejamento do crime.
A vítima, segundo a polícia, era um homem trabalhador, conhecido por preparar o filho para assumir a empresa da família. Embora houvesse registro de violência doméstica, a versão do adolescente de que sofria agressões foi classificada como incoerente. “Um sujeito que alega agressão não executa o pai e depois vai para uma festa em Santa Maria. Isso é uma desculpa sem lógica”, afirmou Linhares.
Após a execução, o adolescente passou a ostentar a nova “vida de sucesso”. Frequentava festas, consumia drogas, realizou duas viagens a Santa Maria e circulava como se fosse um jovem de posses.
Em registros obtidos pela polícia, aparece com armas, roupas novas e em ambientes de luxo, demonstrando total desprezo pela vida que havia tirado. “Ele não apenas matou. Ele comemorou a morte. Viveu o ‘prêmio’ que tirou da vida do pai. Ele se comporta como um empreendedor da morte”, declarou Linhares.
O delegado destacou ainda o perfil do jovem: inteligente, frio e calculista. “Criou toda uma engenharia criminosa: desde o assassinato, à ocultação, à manipulação dos vizinhos e à venda dos bens. Nada foi por acaso.”
O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. O adolescente segue apreendido, e os comparsas, presos. A DRACO mantém as investigações para identificar outros possíveis envolvidos. “Não vamos parar até que cada detalhe seja esclarecido. Esse crime é o retrato da maldade absoluta”, concluiu o delegado.
📌 As informações são do Jornal A Plateia.



