O Fronteira 360 entrou em contato com a Prefectura Naval Argentina (PNA) para buscar esclarecimentos sobre a denúncia de agressão sofrida pelo enfermeiro e pescador Ricardo Jara, de 32 anos, encontrado gravemente ferido na manhã de domingo (28) em seu barco, no Rio Uruguai, em São Borja.
Em resposta oficial, a instituição informou que não realizou patrulhamentos no horário e no local em que a vítima alega ter voltado ao Rio, por volta das 2h da madrugada do dia 28 de setembro, e acrescentou que nenhum de seus efetivos manteve contato com pescadores naquela ocasião.
“A Prefeitura Naval Argentina não realizou patrulhamentos no horário nem no local onde teria ocorrido o fato. Os efetivos da Força não tiveram contato com nenhum pescador”, afirmou a instituição em nota enviada a nossa reportagem.
A PNA também destacou que não recebeu qualquer denúncia relacionada a fatos ocorridos nessa data e região.
Embora a Prefeitura Naval Argentina negue qualquer envolvimento no episódio, veículos de imprensa do país vizinho registraram recentemente o aumento da fiscalização na região de fronteira.
No dia 27 de setembro, o portal Noticiero 9 destacou que a instituição havia reforçado a segurança no trecho correntino do Rio Uruguai, com patrulhamentos diurnos e noturnos em localidades como Santo Tomé e Alvear, empregando lanchas, embarcações menores e motos de água.
“A comunidade de Santo Tomé, Alvear e localidades vizinhas convive diariamente com a presença ativa da Prefectura. Os patrulhamentos são realizados de forma contínua, tanto de dia quanto de noite”, diz um trecho da notícia.
Ricardo Jara, funcionário do Hospital Ivan Goulart, foi encontrado inconsciente na região conhecida como Albaruska. Ele apresentava fratura em um dos braços, ferimentos na cabeça e suspeita de traumatismo craniano.
Segundo informações preliminares, havia saído para pescar no sábado (27) acompanhado de amigos e, durante a madrugada, retornou sozinho ao rio. Poucas horas depois, foi localizado por colegas.
Antes de ser hospitalizado, o enfermeiro relatou ter sido agredido por integrantes da Marinha argentina, versão que agora é investigada pela Polícia Civil de São Borja.
A suspeita é de que os golpes tenham sido desferidos com um remo de madeira.
Com o posicionamento da Prefectura, o caso ganha novos contornos e deverá depender das investigações brasileiras para esclarecer as circunstâncias da agressão.



