O esporte paralímpico brasileiro viveu um feito inédito neste domingo (5). Pela primeira vez na história, o Brasil encerrou o Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico na liderança do quadro de medalhas, superando potências tradicionais como a China, que terminou em segundo lugar. A campanha histórica em Nova Déli, na Índia, resultou em 44 medalhas — sendo 15 de ouro, 20 de prata e nove de bronze.
O resultado representa uma virada simbólica em uma trajetória de evolução constante. Nas últimas três edições, o Brasil havia batido na trave, sempre na vice-liderança. Agora, com dois ouros a mais que os chineses, a delegação verde e amarela alcança o topo do mundo. Desde 2013, quando a Rússia liderou o Mundial de Lyon, a China não ficava fora do primeiro lugar no ranking geral.
O domingo dourado começou com Zileide Cassiano, que conquistou o ouro no salto em distância da classe T20 (deficiência intelectual). A atleta repetiu o feito de Kobe 2024 e desbancou a polonesa Karolina Kucharczyk, campeã paralímpica em Paris, que desta vez ficou com o bronze.
Na sequência, veio o brilho de Jerusa Geber, uma das maiores velocistas da história do esporte paralímpico brasileiro. Aos 43 anos, ela venceu os 200 metros da classe T11 (cego total) e se tornou a atleta brasileira com mais medalhas em Mundiais, chegando a 13 conquistas e superando a lendária Terezinha Guilhermina.
“Dois objetivos concluídos: o tetra nos 100 metros e sair como a atleta com maior número de medalhas. Quero o penta, o hexa… até onde aguentar, eu quero ir”, afirmou Jerusa, emocionada. Na mesma prova, Thalita Simplício ficou com o bronze.
O terceiro ouro do dia veio de Clara Daniele, estreante em Mundiais, nos 200 metros da classe T2 (baixa visão). Inicialmente prata, ela foi promovida ao primeiro lugar após a desclassificação da venezuelana Alejandra Lopez, cuja guia a puxou antes da linha de chegada — manobra proibida nas provas paralímpicas.
O Brasil ainda somou duas medalhas no encerramento da competição: Maria Clara Augusto ficou com a prata nos 200 metros da classe T47, alcançando o terceiro pódio dela na Índia, o melhor desempenho individual entre os brasileiros; e Edenilson Floriani conquistou o bronze no arremesso de peso das classes F42/F63, quebrando seu próprio recorde das Américas.
Para fechar o dia, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) teve confirmado o resultado de prata de Thiago Paulino no arremesso de peso da classe F57, após protesto da Finlândia ter sido negado pela arbitragem.
Com vitórias expressivas e marcas históricas, o Brasil encerra o Mundial de 2025 não apenas no topo do pódio, mas também consolidado como potência global do atletismo paralímpico — um resultado que reforça o protagonismo e o investimento crescente no esporte adaptado.
Com informações Agência Brasil.



