A caminhada convocada por parlamentares e apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) para pressionar o Congresso Nacional pela aprovação de uma anistia ampla aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro teve baixa participação popular nesta terça-feira (7). O ato ocorreu em frente ao Congresso, mas não reuniu a multidão esperada pelo PL.
Organizado para coincidir com um dia de votações na Câmara e no Senado, o protesto pretendia mostrar força política e mobilização popular. O plano da direita era usar a presença de deputados e senadores em Brasília para impulsionar a proposta de anistia, mas a cena que se viu foi bem diferente: poucos manifestantes, muitas bandeiras americanas e discursos inflamados.
O evento começou com o locutor tentando minimizar o esvaziamento. “O número de pessoas não importa”, afirmou, dizendo que o movimento buscava “conversar com o Brasil pelos olhos dos brasilienses”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) discursou e voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, chamando-o de “miserável covarde”.
A bandeira dos Estados Unidos — símbolo frequente em manifestações bolsonaristas — apareceu novamente em destaque. Apesar do recente gesto diplomático entre Donald Trump e Lula, várias bandeiras norte-americanas foram erguidas e vestidas pelos apoiadores do ex-presidente.
A mobilização também marcou o retorno da bandeira brasileira às ruas bolsonaristas. O símbolo nacional, que havia perdido espaço após os episódios de vandalismo de 8 de janeiro, foi carregado ao fim da caminhada em direção ao Congresso.
Nos bastidores, a expectativa era de que o PL conseguisse votar a proposta de anistia nesta semana, aproveitando um suposto “ambiente político favorável”.
O plano, porém, ruíu com o fracasso da chamada PEC da Blindagem, proposta que limitaria investigações contra parlamentares. Após forte reação popular e a rejeição no Senado, o acordo com o Centrão se desfez — deixando o PL isolado.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Nikolas Ferreira foram os principais articuladores do ato, tentando reviver o debate da anistia. Mas, segundo o relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o parecer que será apresentado deve prever apenas a redução das penas, não o perdão total.
O gesto da oposição também evidencia a perda de tração política do bolsonarismo, que tenta reagrupar forças em meio a divisões internas e ao enfraquecimento das pautas mais radicais.
Para analistas, a baixa adesão ao ato mostra que a bandeira da anistia, defendida pelo PL, não tem mais apelo popular suficiente — e que o 8 de janeiro continua sendo um fantasma político difícil de apagar.
Com informações UOL.
(Texto: Redação Fronteira 360)



