Um professor do Centro de Ensino Médio 04 do Guará I, no Distrito Federal, foi agredido pelo pai de uma aluna na manhã da segunda-feira (20), após repreender a estudante por usar o celular em sala de aula. O episódio, que mobilizou a Polícia Militar e terminou com a detenção do homem, ganhou repercussão nas redes sociais.
Após o ocorrido, uma aluna da mesma escola se manifestou publicamente, afirmando ter presenciado o caso e apresentando uma versão diferente da divulgada inicialmente.
Em vídeo publicado nas redes, a jovem alegou que o professor em questão, Emerson Teixeira, que mantém um canal no YouTube com quase 230 mil seguidores e se autointitula “Professor Opressor”, teria um histórico de condutas abusivas dentro do colégio.
“Ele xinga os alunos, grita, abusa do poder dele. Fala coisas desnecessárias e envergonha os alunos na frente dos outros. É realmente um opressor”, declarou a estudante.
Segundo o relato, a aluna envolvida na discussão utilizava o celular em sala de aula para copiar o conteúdo das anotações, pois tem problemas de visão e está sem óculos adequados. A jovem afirmou que outros professores já estavam cientes dessa necessidade, e que o comportamento do docente teria sido desproporcional:
“Ela sempre usa o celular para copiar. Todos os professores sabem. Mas ele voltou para a sala e começou a gritar: ‘Sai dessa porra de celular agora’. Ela tentou explicar, mas ele continuou xingando na frente de todo mundo.”
A estudante também relatou que, após o pai da colega procurar o professor para tirar satisfações, houve uma briga física dentro da escola. “A polícia foi chamada e o pai dela acabou algemado. O professor saiu gravando os alunos que aplaudiam o pai e debochando da gente”, contou.
Além do episódio recente, a aluna disse que o docente já havia sido alvo de reclamações anteriores. “Mais de quatro meninas já reclamaram que viram ele tirando fotos de alunas. É realmente preocupante”, afirmou.
O professor Emerson Teixeira já foi alvo de apurações e matérias jornalísticas. Em 2018, a Corregedoria da Secretaria de Educação do DF abriu uma investigação após ele publicar nas redes sociais um vídeo em que aparecia comemorando, com alunos, a vitória de Jair Bolsonaro, durante um churrasco dentro da sala de aula.
Dois anos depois, em junho de 2020, Teixeira — então responsável pelo canal “Professor Opressor” — foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre atos antidemocráticos que tramitavam no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra 21 pessoas em cinco estados e no DF.
Segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em outubro de 2020, o canal de Emerson Teixeira gerava à época um rendimento mensal de cerca de R$ 11 mil.
Em seu vídeo, a aluna encerra o relato cobrando providências:
“A gente está ali para aprender, não para ser humilhada. O que preocupa é até quando vão fazer vista grossa para esse tipo de atitude dentro da escola.”
Em nota, a Secretaria de Educação do DF informou que a Coordenação Regional de Ensino do Guará está acompanhando o caso e que a Corregedoria da pasta vai apurar os fatos.
A secretaria também acionou o Batalhão Escolar para reforçar a segurança na entrada e saída dos alunos nos próximos dias.
“A Secretaria repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma o compromisso de garantir um espaço seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade”, diz o comunicado.



