O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (30/10) para celebrar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 169/2019, apresentada como uma medida de “valorização dos professores e servidores públicos”.
O texto aprovado autoriza que docentes acumulem um segundo cargo público — inclusive fora da área da educação —, sob o argumento de ampliar a renda e oferecer mais oportunidades à categoria.
A publicação de Motta, porém, chamou atenção pelo tom e pelo cenário escolhidos. O deputado divulgou uma imagem de um quarto decorado com pétalas de rosa e balões de coração, o que rapidamente gerou críticas e comparações nas redes sociais.
Internautas ironizaram a estética da postagem, descrevendo-a como um “motel brega”, e questionaram a relação da imagem com o tema educacional.
“Que valorização é essa, que parece mais uma campanha de Dia dos Namorados?”, comentou uma professora. Outro internauta perguntou: “Por que a Câmara está chamando os professores para uma cama de motel?”.
A imagem fazia referência ao pedido de namoro do jogador do Real Madrid Vinícius Jr. e a influenciadora Virgínia Fonseca. Em meio às críticas, Hugo Motta se viu obrigado a apagar a postagem. No entanto, como se diz nestas terras virtuais, “o print é eterno”.
A epercussão negativa ocorreu poucos dias após a Câmara destinar R$ 5 milhões à contratação de uma empresa de consultoria para melhorar sua imagem nas redes sociais, investimento que, diante do episódio, acabou rendendo o efeito oposto.
Apesar do discurso de valorização, a PEC não prevê aumento salarial nem medidas estruturais de incentivo à carreira docente. Na prática, permite apenas que professores trabalhem mais para tentar complementar a renda.
No entanto, foi aprovada por ampla maioria dos parlamentares, tanto de esquerda quanto de direita, que foram as redes celebrar a aprovação, embora sem imagem de motel. Essa ficou para reservada apenas ao Presidente da Câmara mesmo. É o típico “jeitinho brasileiro” aplicado a política: empurrar o problema com a barriga, tentar consertar com gambiarra e no fim afirmar: “É o que dá para fazer no momento”.
O contraste entre o tom festivo da publicação e a realidade enfrentada pela categoria expõe um dilema recorrente na política educacional brasileira: valoriza-se o professor no discurso, mas não na remuneração. Afinal, que valorização é essa que não melhora salários, mas legaliza o acúmulo de empregos?



