Representantes do Movimento Girassol Amigos na Diversidade e instituições de ensino da cidade participaram das discussões que vão orientar políticas públicas nacionais
O Movimento Girassol Amigos na Diversidade, junto a representantes do Instituto Federal Farroupilha e da Universidade Federal do Pampa, marcou presença na 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, realizada em Brasília, entre os dias 21 e 25 de outubro. O evento reuniu representantes de todo o país para debater políticas públicas voltadas à promoção e defesa dos direitos da população LGBTQIA+ e à construção de estratégias conjuntas para o fortalecimento das pautas da diversidade.
A entidade são-borjense foi representada pela coordenadora Lins Robalo, que levou ao encontro suas experiências, lutas e vivências em defesa da igualdade, reforçando o compromisso do movimento com a construção de uma sociedade mais inclusiva e democrática.
Segundo o Girassol Diversidade, conferências como essa têm papel essencial na participação social, ao reunir poder público, sociedade civil e demais segmentos interessados. Esses espaços são voltados à formulação, monitoramento e avaliação de políticas que garantam os direitos da comunidade LGBTQIA+.
Do debate local à representação nacional
Lins relembrou o caminho percorrido até a conferência nacional, que começou com a realização da 2ª Conferência Municipal LGBT, promovida em São Borja pelo Movimento Girassol no Instituto Federal Farroupilha.
“Nós, aqui da Girassol Amigos na Diversidade, organizamos a 2ª Conferência Municipal LGBT e, dentro da conferência — que foi no Instituto Federal Farroupilha —, selecionamos 10 delegados que foram conosco para a conferência estadual, que aconteceu em agosto deste ano, em Porto Alegre. Dentro da conferência estadual, reunimos todos os debates e decisões das conferências municipais que ocorreram no estado. E lá definimos quais desses debates seriam encaminhados para a Conferência Nacional”, explicou Lins.
Ao todo, foram 57 delegados escolhidos no Rio Grande do Sul, representando o Conselho Estadual — do qual Lins é secretária-geral —, gestores públicos e a sociedade civil.
Entre os representantes do município, estiveram o estudante Fernando Farias, do Instituto Federal Farroupilha (sociedade civil), a professora Monique Bronzoni Damascena, da Universidade Federal do Pampa (gestão pública), e a própria Lins Robalo, representando o Conselho Estadual LGBTQIA+.
Propostas e avanços para políticas públicas
Durante os dias de conferência em Brasília, os delegados discutiram as propostas elaboradas pelos estados e consolidaram um documento nacional com diretrizes e recomendações para os próximos anos.
“Nós nos encontramos, nesses dias, em Brasília, defendendo e debatendo políticas públicas nacionais. Todas as propostas coletadas no Rio Grande do Sul e mais as dos outros 26 estados compuseram um grande conjunto de propostas”, destacou Lins.
Entre os avanços debatidos, ela ressaltou as ações voltadas à segurança pública, cotas em concursos e à inclusão de pessoas trans, travestis e outras identidades no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Essas indicações vão compor um caderno orientador das políticas públicas federais, servindo para a criação de novas legislações e o aprimoramento das já existentes”, complementou.
Importância da representatividade são-borjense
Para Lins, a participação de São Borja na conferência simboliza um marco para o município e para o movimento LGBTQIA+ local.
“Foi um momento de extrema importância. Faziam quase dez anos que não aconteciam conferências no Brasil. As conferências são um exercício da cidadania, a possibilidade de ouvir a voz da comunidade e das pessoas que vivem o cotidiano”, afirmou.
“Estar em Brasília enquanto coordenadora do Girassol, secretária do Conselho Estadual LGBT e militante da sociedade civil foi algo histórico. Agradeço a presença das três pessoas da cidade de São Borja — representantes da sociedade civil, da gestão pública e do movimento social. Temos o Instituto Federal Farroupilha e a Unipampa como dispositivos fundamentais de ensino, formação e inclusão, que qualificam a nossa cidade”, completou.
Juventude e aprendizado coletivo
O estudante de Turismo do Instituto Federal Farroupilha, Fernando Farias, destacou a importância da experiência e o aprendizado proporcionado pelo evento.
“Foi uma oportunidade muito importante para mim. Eu estava junto com pessoas de todo o país, cada uma representando suas diferentes vivências e territórios. Tivemos pessoas de referência na comunidade e em movimentos nacionais, como o Instituto Brasileiro de Transmasculinades (IBRAT) e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)”, relatou.
Integrante do grupo de trabalho sobre interseccionalidade e internacionalização, Fernando ajudou a debater propostas relacionadas à cultura e acesso às leis de incentivo cultural.
“É um espaço de construção coletiva. Ali, a gente conversa com o Estado, para pensarmos juntos nessas políticas públicas e como elas vão se direcionar. Para mim, isso é muito simbólico, de um peso muito grande, histórico”, afirmou.
O jovem ressaltou ainda o acolhimento e a união entre os representantes da região:
“Reforço a importância do pessoal da região — todo mundo muito unido, acolhedor e disposto a ajudar, especialmente quem estava nesses espaços pela primeira vez, como eu. Foi um momento histórico de reafirmação dos nossos espaços e lugares na construção das políticas públicas, garantindo que elas realmente contemplem toda a diversidade da nossa comunidade.”



