Jeffrey Epstein, o financista americano acusado de comandar uma rede internacional de tráfico e abuso sexual de menores, volta ao centro das atenções políticas dos Estados Unidos. Morto em 2019, oficialmente por suicídio, Epstein foi acusado de aliciar e explorar mais de 250 meninas em mansões de luxo e de manter ligações próximas com empresários, artistas e líderes políticos de alto escalão, entre eles, o atual presidente Donald Trump.
Nesta quarta-feira (12), o Congresso americano divulgou novos e-mails trocados entre Epstein e sua ex-assistente Ghislaine Maxwell, nos quais o bilionário afirma que Trump “sabia sobre as meninas” e que chegou a “passar horas” em sua casa com uma das vítimas. Os democratas dizem que o material reforça suspeitas antigas sobre o grau de proximidade entre ambos.
Em uma das mensagens, datada de abril de 2011, Epstein escreveu: “Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é Trump. Uma vítima passou horas na minha casa com ele… e nunca foi mencionada uma única vez.” A frase, vista por parlamentares como um indício de cumplicidade silenciosa, gerou reação imediata da Casa Branca, que acusou os congressistas de “vazamento seletivo” e “tentativa deliberada de difamar o presidente”.
Trump nega enfaticamente qualquer envolvimento com o esquema. Ele admite que conheceu Epstein e frequentou seus eventos, mas afirma ter rompido laços “há mais de quinze anos”. Durante a campanha presidencial, o republicano chegou a prometer divulgar a lista de clientes do bilionário, documento que nunca veio a público.
Quando o Departamento de Justiça liberou parte dos arquivos, já sob seu governo, Trump mudou o discurso: passou a minimizar o caso e a ironizar quem ainda cobrava respostas.
A tensão aumentou quando o próprio Departamento informou, em maio, que o nome de Trump aparece em registros internos ligados à investigação.
Entre os materiais divulgados pelo Congresso também está uma suposta carta de Trump a Epstein, datilografada dentro do contorno de uma mulher nua desenhada à mão e assinada “Donald”. O texto termina com a frase: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo.” Trump nega ter escrito a carta, processou o Wall Street Journal por US$ 10 bilhões e classificou o documento como “fabricação grosseira”.
Epstein foi preso em julho de 2019 e encontrado morto um mês depois em sua cela, em Nova York. Desde então, o caso tem sido símbolo de impunidade e poder nas altas esferas americanas. Com os novos e-mails, o escândalo ganha novo fôlego e lança dúvidas sobre o quanto de verdade ainda está escondido entre os segredos que Epstein levou consigo.



