A deputada estadual Juliana Brizola foi oficializada como pré-candidata do PDT ao governo do Rio Grande do Sul durante a convenção municipal do partido, realizada em Porto Alegre. Diante de um auditório lotado e marcada por presenças de potenciais aliados, Brizola assumiu postura de candidata posta para 2026 e afirmou que não recuará da disputa.
A pedetista disse ter desistido de concorrer à Câmara dos Deputados depois do desempenho positivo nas pesquisas, que, segundo ela, reforçam a responsabilidade do partido em apresentar um nome competitivo ao governo gaúcho.
“Estou no melhor momento para ser deputada federal, mas não tenho como virar as costas depois de mais de 30 anos que o PDT não consegue esse tipo de porcentagem. (…) Eu deixei de lado qualquer projeto pessoal para assumir esse desafio”, afirmou.
Críticas a Eduardo Leite e recados ao PT
Com postura de quem já disputa o Palácio Piratini, Juliana subiu o tom contra o governo Eduardo Leite (PSD):
“O RS precisa voltar a ser protagonista. (…) Muitos desgovernos levaram, por exemplo, professores ao descalabro que está a educação do governo do Estado”, disparou.
O PT também foi alvo, especialmente no debate sobre alianças à esquerda para enfrentar a extrema-direita em 2026.
“Quero construir um Estado desenvolvido com todos que querem construir esse Estado. E não com uma narrativa de vaidade, de que ‘tem que ser eu’. (…) Quero ver deixar a vaidade de lado para realmente ganhar a eleição contra a extrema-direita. Porque chegar no segundo turno é fácil. Eu quero ver ganhar a eleição”, disse, em alusão à pré-candidatura petista.
Em entrevista, garantiu diálogo com PT e MDB, mas rejeitou alternativas fora da cabeça de chapa:
“Não considero nenhuma outra candidatura”, frisou, descartando concorrer a vice ou ao Senado.
PDT mira reciprocidade do PT: Lupi aposta em aliança
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, esteve presente e defendeu que a candidatura de Brizola integra o acordo nacional com o PT, já que o partido declarou apoio à reeleição de Lula. Ele afirmou que espera que o gesto se reflita no RS.
“Temos três candidaturas a governador muito bem posicionadas. (…) Isso já está colocado na aliança nacional, e vamos esperar reciprocidade do PT, do PSB e dos outros partidos”, disse.
Segundo ele, o diálogo com os petistas no estado segue aberto:
“Política é via de mão dupla. Quem ajuda também tem que ser ajudado”, afirmou.
A fala ecoou no discurso do deputado federal Pompeo de Mattos:
“Lula lá e Brizola aqui. (…) Brasília tem que nos ajudar também. Assim como a candidatura do Lula é a melhor projetada lá, a candidatura da Juliana é a melhor projetada aqui.”
Convenção reúne aliados — e revela distâncias internas
Representantes de PT, PCdoB, PSol, Rede, PV e PSB participaram do evento, reforçando as negociações à esquerda. Já partidos da base de Leite, como PSD, PSDB e União Brasil, também enviaram representantes, entre eles o deputado Thiago Duarte, cotado para migrar ao PDT na janela partidária.
Apesar da demonstração de força externa, a convenção expôs fissuras internas: a bancada estadual do PDT praticamente não compareceu. Estiveram ausentes os deputados Airton Artus, Luiz Marenco e Tiago Cadó, além dos secretários estaduais pedetistas Eduardo Loureiro (Cultura) e Gilmar Sossella (Trabalho).
Em um evento de lançamento de pré-campanha ao governo com a presença de Lupi, as ausências foram sentidas. O gesto indica resistência à candidatura de Brizola por parte de setores próximos ao governo Leite, onde o PDT ainda ocupa duas pastas e mantém grande alinhamento. Leite já tem seu pré-candidato: o vice-governador Gabriel Souza (MDB).
O único deputado estadual presente, Gerson Burmann, classificou o pleito como decisivo:
“Vamos para a eleição mais importante da história do PDT. (…) Temos o desafio de ultrapassar a cláusula de barreira”, declarou.
Candidatura própria é vista como estratégica
Para o PDT, manter Brizola na cabeça de chapa fortalece o projeto de ampliar suas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, além de garantir protagonismo político em meio às negociações com a esquerda, sem romper com o atual governo, onde segue ocupando espaço.
Entre acenos, críticas e ausências, o PDT deixa sua convenção com uma mensagem clara: Juliana Brizola está lançada ao Piratini e dificilmente voltará atrás.



