A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte afastou dez policiais penais da Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, após denúncias de agressões contra o ex-atleta Igor Eduardo Pereira Cabral, réu por tentativa de feminicídio. Os servidores foram removidos de suas funções na unidade e realocados para o Complexo Penal Agrícola Dr. Mário Negócio, em Mossoró, medida que, segundo a SEAP, atende a uma determinação judicial e visa garantir a continuidade do serviço público.
Em nota, a secretaria afirmou colaborar “integralmente” com a investigação, que tramita sob sigilo, e reforçou que todas as providências solicitadas pelas autoridades já estão em andamento. A pasta destacou que não tolera desvios de conduta e que qualquer indício de abuso por parte de seus funcionários será apurado com rigor.
As denúncias feitas por Cabral remontam a agosto. Ele relatou ter sido colocado nu e algemado em uma cela isolada, onde teria sido alvo de murros, chutes, cotoveladas e spray de pimenta.
O preso também afirmou ter recebido ameaças, entre elas que estaria “no inferno” e que sua comida poderia ser envenenada. Segundo ele, alguns agentes ainda teriam entregue um lençol com a sugestão de que tirasse a própria vida. Após a denúncia, Cabral foi levado à delegacia de plantão para registrar o boletim de ocorrência.
Cabral está detido desde 30 de julho, quando câmeras de segurança registraram o momento em que ele desferiu 61 socos contra a namorada dentro do elevador de um prédio. A vítima ficou caída no chão, sem reação. O porteiro percebeu a agressão pela câmera interna e acionou a polícia, que prendeu o ex-atleta em flagrante. À polícia, ele alegou estar em crise de claustrofobia.
A mulher sofreu múltiplas fraturas no rosto, passou por cirurgia de reconstrução e relatou à imprensa que o ataque foi uma tentativa deliberada de matá-la. “Ele disse: ‘então você vai morrer’ e começou a me bater”, afirmou. “Eu resisti, ele falhou no plano dele.”
O caso segue sob investigação tanto na esfera penal quanto no âmbito interno do sistema prisional potiguar.



