O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou, nesta quinta-feira (20), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).
A nomeação abre o rito tradicional no Senado, onde o escolhido deverá passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, ter seu nome submetido ao plenário. Para ser aprovado, são necessários ao menos 41 votos favoráveis.
Messias, 45 anos, pernambucano, atua no governo desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023. Sua trajetória no Executivo inclui passagens como consultor jurídico nos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia (2011–2012) e como subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil em 2015, durante o governo Dilma Rousseff.
Foi justamente naquele ano que o jurista ganhou projeção nacional: tornou-se conhecido do grande público após ser citado por Dilma em um telefonema interceptado pela Operação Lava Jato.
Na conversa, a presidente mencionava que “o Bessias” entregaria a Lula o termo de posse na Casa Civil, episódio que o transformou em símbolo de lealdade ao grupo político petista e o colocou no meio de uma polêmica. Na época, a nomeação foi barrada e entendida como um tentativa de evitar uma possível prisão de Lula.
A escolha de Messias para o STF é atribuída à relação sólida que mantém com ministros da Corte, à confiança de Lula em sua atuação e ao seu perfil evangélico, característica vista no Planalto como um possível vetor de aproximação com um eleitorado mais conservador. No ano passado, ele participou de vídeos da Fundação Perseu Abramo sobre a visão de evangélicos ligados ao PT.
Se aprovado, Messias assumirá a vaga deixada pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Com isso, Lula passará a ter cinco nomes indicados entre os onze integrantes do Supremo. No atual mandato, já levou à Corte o ex-ministro da Justiça Flávio Dino e o advogado Cristiano Zanin. Em seus governos anteriores, indicou ainda Cármen Lúcia (2006) e Dias Toffoli (2009).
A sabatina na CCJ ainda não tem data definida, mas a expectativa no governo é de que o nome de Messias avance sem grandes resistências no Senado, consolidando mais uma peça chave da estratégia de recomposição institucional do presidente.



