Uma investigação do Ministério Público Militar (MPM) trouxe à tona um possível esquema de desvio de armas e munições dentro de um quartel do Exército em São Borja, conforme divulgado pela GZH nesta sexta-feira (21). O caso começou quase por acaso, durante uma revista de rotina ao final do expediente, mas rapidamente ganhou proporções muito maiores.
A suspeita surgiu quando um soldado foi flagrado tentando deixar o quartel com 40 projéteis de fuzil calibre 7.62 mm e seis munições traçantes, aquelas que deixam um rastro luminoso ao serem disparadas. Ele afirmou ter pego o material “por engano”, mas acabou preso em flagrante. O celular do militar foi apreendido, e a partir dali a investigação tomou um novo rumo.
A análise do aparelho indicou que o desvio poderia envolver outros praças. Com essas informações, a Polícia Judiciária Militar e a Procuradoria de Justiça Militar, sediada em Santa Maria, solicitaram mandados de busca e apreensão. No dia 12 de novembro, equipes visitaram as casas dos suspeitos e encontraram um arsenal que surpreendeu até os investigadores.
Foram apreendidos:
61 munições calibre 7.62 mm
8 munições calibre 7.62 mm traçante
7 cargas suplementares de granada de morteiro
21 munições de fuzil calibre .308
2 granadas de efeito moral
1 fuzil calibre .308
1 revólver
7 munições de revólver .357
Pólvora negra
144 cartuchos deflagrados de metralhadora calibre .50
1.149 cartuchos deflagrados de fuzil 7.62
1 estojo deflagrado de munição de canhão 90 mm
Material para recarga de munição
7 celulares
O soldado preso inicialmente ficou cerca de 30 dias em prisão preventiva antes de ser solto. Os outros militares não foram detidos, mas todos respondem a inquérito policial militar por peculato e furto qualificado.
Enquanto a investigação segue em andamento, o volume do material apreendido levanta uma série de dúvidas sobre a extensão do esquema e o possível destino das armas e munições desviadas. O Exército e o Ministério Público Militar ainda não divulgaram detalhes sobre essas questões, mas o caso já mobiliza autoridades e acende alerta dentro da corporação.



