Gilberto Firmo, tio materno da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, voltou a ser detido no Distrito Federal. Aos 52 anos, ele foi preso na quarta-feira (26) por suspeita de receptação e participação em um grupo criminoso especializado em furtos, adulteração e ocultação de veículos. É a segunda prisão dele em 2024. A primeira, em agosto, foi pelo armazenamento de conteúdo de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes.
A nova prisão ocorreu após uma investigação da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV II). Agentes monitoravam um carro alugado irregularmente e usado por terceiros em crimes. O veículo foi localizado em um imóvel no Conjunto B, em Ceilândia, onde também foram encontrados dois automóveis com registro de furto ou roubo e diversas peças automotivas de origem suspeita. Todo o material foi apreendido.
Firmo foi autuado em flagrante e levado a uma unidade prisional. De acordo com o advogado Samuel Magalhães, ele já foi libertado mediante fiança. A defesa alega inocência e afirma que não há participação do investigado em organização criminosa.
Primeira prisão em 2025: pornografia infantil
No dia 1º de agosto, Gilberto Firmo já havia sido preso pela Polícia Civil de Goiás durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Na ocasião, policiais encontraram em seu celular, que, segundo ele, teria sido presenteado por uma pessoa próxima, diversas imagens e vídeos de crianças e adolescentes em situação de abuso sexual.
O material foi apreendido e submetido a perícia. A investigação resultou na autuação pelo artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê pena de até quatro anos de prisão por armazenamento de pornografia infantil. À época, Michelle Bolsonaro declarou sentir “indignação e profunda tristeza” e afirmou não manter convivência com o tio há mais de 18 anos.
Histórico familiar da ex-primeira-dama
Os casos envolvendo Gilberto Firmo não são isolados. O histórico da família materna de Michelle Bolsonaro é marcado por episódios criminais registrados ao longo das últimas décadas.
A avó, Maria Aparecida Firmo Ferreira, foi presa aos 55 anos por tráfico de drogas. Ela foi flagrada com pacotes de merla, um derivado da cocaína, e chegou a cumprir pena na penitenciária do Gama, no Distrito Federal. Durante o cumprimento da pena, foi acusada de tentar subornar um agente penitenciário para ir para casa. Maria Aparecida deixou o presídio em 1999, em liberdade condicional, após dois anos e dois meses de prisão.
A mãe de Michelle, Maria das Graças Firmo Ferreira, foi investigada pela Delegacia de Falsificações e Defraudações de Brasília por possuir dois registros civis — um verdadeiro e outro falso. O processo por suspeita de falsidade ideológica acabou prescrito e foi arquivado.
O tio preferido da ex-primeira-dama, João Batista Firmo Ferreira, sargento aposentado da Polícia Militar, foi preso em maio deste ano acusado de integrar uma milícia que atuava na favela Sol Nascente, no DF. O Ministério Público afirma que ele e outros PMs seriam o braço armado de um esquema de venda ilegal de lotes, com uso de ameaças e violência. O caso corre sob segredo de Justiça.
Outro tio materno, segundo revelou o portal Metrópoles, foi condenado em 2018 a 14 anos de prisão por estupro. As vítimas eram duas sobrinhas que denunciaram abusos ocorridos quando ainda eram crianças.
Repercussão
Michelle Bolsonaro, atualmente presidente do PL Mulher, costuma se manifestar publicamente sobre crimes sexuais e políticas de proteção à infância. Em ocasiões anteriores, ela destacou que não mantém vínculo próximo com os parentes envolvidos em crimes, afirmando sentir vergonha e indignação diante das prisões.
A defesa de Gilberto Firmo rebate as acusações e diz confiar que o processo esclarecerá os fatos. Enquanto isso, os novos desdobramentos reacendem o debate sobre o histórico criminal que ronda parte da família materna da ex-primeira-dama.



