O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em pronunciamento transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, a sanção da lei que isenta do Imposto de Renda todos os trabalhadores que ganham até R$ 5.000 por mês. A nova regra, aprovada por unanimidade na Câmara e no Senado, passa a valer a partir de janeiro de 2026.
Segundo o governo, dezembro de 2025 será o último mês em que os trabalhadores nessa faixa salarial terão desconto do IR na folha. A mesma lei também reduz a tributação para quem recebe entre R$ 5.000 e R$ 7.350, que começará a pagar menos imposto.
Lula afirmou que um trabalhador com salário de R$ 4.800 deve economizar cerca de R$ 4 mil por ano com a isenção, “quase um 14° salário”, segundo o presidente.
“O que hoje é desconto no contra-cheque vira dinheiro no bolso”, afirmou. “Esse alívio significa maior poder de compra, mais consumo e mais giro na economia. O país inteiro será beneficiado.”
Medida será compensada com taxação dos super-ricos
Durante o pronunciamento, Lula destacou que a compensação fiscal virá da taxação dos chamados “super-ricos”, pessoas que ganham mais de R$ 1 milhão por ano e que, segundo ele, atualmente pagam proporcionalmente menos imposto do que trabalhadores assalariados.
“A compensação não virá de cortes na educação ou na saúde, mas da taxação dos super-ricos, que ganham mais de um milhão por ano e hoje não pagam nada ou quase nada de imposto”, declarou.
A nova cobrança alcançará cerca de 140 mil contribuintes, o equivalente a 0,1% da população. “Eles vão contribuir com 10% de imposto sobre a renda para dar alívio às famílias que movem este país”, afirmou.
O presidente criticou o que chamou de “injustiça tributária histórica”, citando que trabalhadores chegam a pagar até 27,5%, enquanto quem vive de renda paga, em média, 2,5%.
Estimativa é de injetar R$ 28 bilhões na economia
A equipe econômica calcula que a isenção colocará R$ 28 bilhões adicionais em circulação em 2026, impulsionando o comércio, a indústria e os serviços, além de ampliar o consumo das famílias.
Lula disse que o valor que deixará de ser descontado poderá ser usado para quitar dívidas, viajar, comprar eletrodomésticos ou melhorar a qualidade de vida.
Presidente faz balanço e cita avanços do governo
No pronunciamento em cadeia nacional, Lula também destacou números que considera positivos na atual gestão, como:
retorno do Brasil ao grupo das dez maiores economias do mundo;
retirada do país do mapa da fome;
menor inflação acumulada em quatro anos;
desemprego em queda;
aumento real do salário mínimo;
ampliação de políticas sociais e educacionais;
programas como Luz do Povo e Gás do Povo, voltados a famílias de baixa renda.
Apesar disso, Lula afirmou que a desigualdade segue elevada. Segundo ele, 1% mais rico detém 63% da riqueza nacional, enquanto metade da população possui apenas 2%.
Lula concluiu dizendo que a mudança no IR é apenas o primeiro passo de uma agenda maior para reduzir desigualdades no país. “Seguiremos combatendo privilégios de poucos para defender os direitos de muitos”, declarou.



