O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ protocolou uma representação contra o Sport Club Internacional e os técnicos Abel Braga e Ramón Díaz na Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A entidade pede responsabilização das duas comissões técnicas após episódios considerados homofóbicos. A informação foi revelada pelo jornal O Globo.
A denúncia cita a fala de Abel Braga durante sua apresentação como treinador do Inter. Ao comentar sobre o ambiente do vestiário e o uniforme de treino, ele declarou: “Eu não quero a porra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de viado.” A frase gerou repercussão imediata.
Horas depois, o técnico publicou uma retratação nas redes sociais, afirmando que “cores não definem gêneros”. Para o Grupo Arco-Íris, porém, o pedido de desculpas não reduz a gravidade do episódio, já que Abel ocupa uma posição de influência capaz de reforçar estigmas e naturalizar práticas discriminatórias no esporte.
A representação também inclui o ex-treinador colorado Ramón Díaz. Após um empate com o Bahia, pela 33ª rodada do Brasileirão, o argentino declarou que “futebol é para homens, não é para meninas.” Assim como Abel, ele divulgou nota se desculpando após a repercussão negativa.
De acordo com O Globo, ambos os episódios podem configurar violação ao artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê suspensão de até dez jogos e multas que podem chegar a R$ 100 mil. O dispositivo também prevê punição ao clube quando atos discriminatórios partem de profissionais vinculados à instituição.
O Grupo Arco-Íris solicita que a Procuradoria do STJD dê andamento à denúncia e, além das sanções esportivas, cobra medidas de reparação e conscientização, como participação obrigatória em seminários, ações educativas e campanhas públicas contra a discriminação no esporte.



