O gabinete do senador Jorge Seif (PL-SC) enfrenta forte pressão após a revelação de que uma ex-diarista do Entorno do DF, Adna dos Anjos Cajueiro, recebe R$ 31,2 mil mensais como assessora parlamentar. O valor é superior ao salário de oito governadores brasileiros.
Apesar do cargo de alta confiança, servidores do próprio gabinete afirmaram ao Metrópoles não saber quem ela é. Em uma das visitas da reportagem, ninguém soube indicar onde ela trabalhava ou qual sua função. Em outra, a recepcionista limitou-se a dizer que Adna “deve atuar em outro setor”, mas não explicou qual.
Nas redes sociais, contudo, Adna aparecia frequentemente divulgando roupas em duas lojas próprias: uma na Feira dos Goianos e outra em Ceilândia. Os negócios continuaram ativos mesmo após sua nomeação para o Senado, período em que seu salário público saltou de cerca de R$ 2 mil, quando trabalhava como diarista, para os atuais R$ 31 mil. Após a reportagem, ela pediu a baixa do próprio CNPJ no dia seguinte.
Questionado, o senador afirmou não saber que Adna mantinha duas lojas de roupas e sustentou que ela exerceria funções “externas”. Segundo Seif, a assessora teria uma atuação “de campo”, fora do gabinete, o que justificaria sua ausência completa no Senado. Ele disse ainda que ela estaria “dispensada” do registro biométrico, embora não tenha apresentado relatórios, agendas ou qualquer evidência de atividade.
Seif declarou também que, se alguma irregularidade for comprovada, “não hesitará em exonerá-la”, tentando afastar a responsabilidade direta pela falta de transparência. Mesmo assim, nenhuma descrição clara das supostas atribuições de Adna foi apresentada pelo parlamentar, que limitou-se a afirmar que “confia” no trabalho da assessora.
A situação expôs um potencial caso de uso indevido de recursos públicos e reacendeu o debate sobre a transparência na nomeação de assessores parlamentares, especialmente em cargos de alto salário e sem comprovação clara de atividade.



