A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou, nesta quinta-feira (4/12), a convocação de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, mesmo após vir à tona um depoimento que o cita como beneficiário de pagamentos milionários realizados por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A decisão foi tomada por 19 votos a 12, em meio a um dos momentos mais tensos da investigação sobre o suposto esquema de desvio de recursos destinados a aposentados e pensionistas.
As novas informações surgiram a partir do testemunho de Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, que diz estar sendo perseguido pelo ex-chefe. Ele relatou à Polícia Federal que Lulinha teria recebido um pagamento de R$ 25 milhões, além de uma “mesada” mensal de aproximadamente R$ 300 mil. O depoimento, já encaminhado à CPMI, não especifica em qual moeda o valor milionário foi repassado.
A reportagem da jornalista Mariana Haubert, publicada no site Poder360, revelou a existência do documento, o que foi confirmado por integrantes da comissão ao longo da manhã. Além dos supostos pagamentos, Claro afirmou que Lulinha realizou viagens ao lado do “Careca do INSS”, informação que também já está em posse dos parlamentares.
O caso reacendeu questionamentos sobre a recente mudança de Lulinha para Madri, na Espanha, ocorrida em meados deste ano. A oposição quer apurar se a saída do país teria relação com o avanço das investigações ou se ocorreu após acesso antecipado a informações sensíveis.
Em território espanhol, Lulinha estaria prestando consultoria para empresas com atuação no Brasil, mas, procurado pelo portal Metrópoles, não respondeu sobre sua atividade profissional.
A base governista atuou para barrar a convocação do filho mais velho do presidente Lula. Deputados do PT classificaram a tentativa como uma manobra política.
“Votamos contra e vamos denunciar o único objetivo, que é desviar o foco da investigação”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro de Lula, que também declarou que poderá acionar judicialmente parlamentares que afirmarem que Lulinha recebeu mesada do esquema.
Mesmo diante das revelações, Lulinha não se pronunciou publicamente sobre as acusações. O episódio amplia a pressão sobre o andamento da CPMI, que ainda analisa documentos da Polícia Federal para esclarecer o alcance e os beneficiários do esquema atribuído ao “Careca do INSS”.



