Documentos apreendidos pela Polícia Federal revelam que o Banco Master previa pagar R$ 129 milhões ao escritório Barci de Moraes Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O contrato, que estabelecia pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões ao longo de 36 meses a partir de 2024, também envolvia dois dos três filhos do ministro, que trabalham na firma.
A cópia digital do contrato foi localizada no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em meados do mês passado. Vorcaro foi preso sob suspeita de envolvimento em uma fraude bilionária e solto 12 dias depois por decisão de uma juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Segundo a apuração da colunista Malu Gaspar, de O Globo, o contrato não chegou a ser integralmente executado porque o Banco Master entrou em processo de liquidação, o que levou à sua extinção. Mesmo assim, mensagens apreendidas pela PF indicam que os pagamentos ao escritório eram tratados como prioridade dentro do banco.
“Tudo indica, porém, que o escritório foi regiamente pago enquanto possível, porque nas mensagens com a equipe Vorcaro deixava claro que os desembolsos para Viviane eram prioridade para o Master e não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”, afirma a colunista.
Vorcaro é investigado pela suposta fabricação de carteiras falsas de crédito e pelo uso de uma empresa de fachada para comprar R$ 12,2 bilhões em dívidas entre janeiro e maio deste ano. De acordo com a acusação, produtos de investimento irregulares relacionados ao esquema teriam sido vendidos ao BRB.
Nesta semana, reportagem do UOL revelou que o empresário doou um apartamento de R$ 4,3 milhões, localizado na região da Faria Lima, em São Paulo, a uma influencer ré por lavagem de dinheiro.
O contrato entre o banco e o escritório da família de Moraes não tinha como objetivo uma causa específica, mas a prestação de serviços jurídicos em diversos temas, conforme necessidade do Banco Master.
A coluna procurou Alexandre de Moraes e o escritório Barci de Moraes Advogados para comentário, mas ainda não houve resposta. O texto será atualizado caso as partes se manifestem.



