Uma semana após a caso de agressão denunciado pela vereadora Manoela Rosa Couto (PDT) vir à tona, a Prefeitura de Uruguaiana e a Secretaria Municipal de Saúde permanecem em completo silêncio sobre o episódio. Mesmo diante de novas imagens, que mostram o psiquiatra tentando arrancar à força uma receita médica das mãos da parlamentar, e questionamentos diretos da imprensa, a gestão municipal permanece sem pronunciamento oficial e sem responder às solicitações de esclarecimento.
O Fronteira 360 buscou contato junto à administração municipal, mas não obteve qualquer resposta até a publicação desta matéria.
A denúncia veio a público no dia 2 de dezembro, quando a parlamentar divulgou um vídeo relatando que o médico havia tentado arrancar à força a receita médica de sua mão após ela questionar a medicação prescrita ao filho, numa consulta que segundo ela teria durado menos de três minutos. O Fronteira 360 entrou em contato com a vereadora no mesmo dia buscando mais informações.
Na sexta-feira (5), o caso ganhou novos desdobramentos. Manoela publicou outro vídeo, desta vez com imagens do momento da agressão, registradas pelo próprio filho após ela sinalizar que começasse a gravar, temendo que o episódio acabasse reduzido a palavra contra palavra.
Nas imagens, o psiquiatra aparece usando de força para retirar a receita das mãos da vereadora, enquanto ela repete: “Solte, solte”. Ao perceber que estava sendo filmado, o profissional muda o discurso e afirma ter sido desrespeitado.
Em um trecho do vídeo, a vereadora questiona: “O senhor é louco?”, ao que ele responde: “Sim, sou bem louco. Um desaforo a senhora fazer isso comigo”.
Ela rebate dizendo: “Desaforo é atender assim no SUS”.
Manoela afirma acreditar que o médico agiu com agressividade porque ela tinha em mãos prova de sua má conduta, lembrando que prescrever medicamento sem diagnóstico é infração ética grave, prevista no Código de Ética Médica.
Apesar da repercussão e da seriedade da conduta registrada em vídeo, que resultou no registro de boletim de ocorrência por parte da vereadora, nenhum posicionamento oficial foi emitido pela Secretaria de Saúde ou pela Prefeitura. A administração chegou a publicar uma breve nota informando que medidas seriam adotadas, mas o comunicado foi removido pouco depois das plataformas oficiais, sem explicações, sem atualizações e sem qualquer retorno à imprensa.
Desde o início da semana, o Fronteira 360 enviou uma série de questionamentos objetivos à Secretaria Municipal de Saúde, mas nenhum deles foi respondido:
1. O profissional já foi identificado e quais medidas foram adotadas?
2. O médico segue atendendo normalmente na rede?
3. Será aberta sindicância ou procedimento administrativo?
4. A Secretaria pretende emitir nota oficial?
5. Há protocolos específicos para atendimento infantil e prescrição psiquiátrica que possam ter sido violados?
O jornal A Cidade, de Uruguaiana, também buscou posicionamento da administração, igualmente sem retorno.
Nas redes sociais, o caso gerou críticas pela atuação do médico e relatos de situações semelhantes vividas por outros moradores da cidade e região em atendimentos feitos pelo SUS.
O Fronteira 360 permanece acompanhando o caso e reitera que permanece à disposição para receber e publicar manifestações oficiais da administração municipal de Uruguaiana e das partes envolvidas.



