A Polícia Federal aponta que o deputado federal Vicentinho Júnior, do PP, teria sido o real beneficiário de uma movimentação financeira de R$ 170 milhões realizada ao longo de seis anos por meio de uma empresa registrada em nome de sua esposa e classificada como de fachada pela investigação. O caso integra o inquérito da Operação Overclean, que apura um suposto esquema de propinas envolvendo contratos da Secretaria de Educação do Tocantins.
De acordo com o relatório da PF, a empresa não apresentava atividade econômica compatível com os valores movimentados e teria funcionado como uma “conta de passagem”, registrando créditos e débitos equivalentes entre janeiro de 2019 e abril de 2025. Para os investigadores, os recursos estariam ligados a pagamentos ilícitos associados a contratos públicos obtidos mediante fraude em licitação.
Uma das principais provas citadas é uma planilha apreendida com os empresários Fábio e Alex Parente no final de 2024. Segundo a PF, o documento detalha o controle mensal de pagamentos de propina e traz codinomes que corresponderiam a agentes públicos e intermediários. O codinome “Vic” aparece com valores e datas que coincidem com transferências feitas para a empresa da esposa do deputado do PP.
A planilha também registra supostos repasses regulares a outros investigados: R$ 15 mil mensais ao ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, Claudinei Aparecido Quaresemin (“NE”); R$ 10 mil por mês ao ex-secretário de Educação Danilo de Azevedo Costa (“Dan”); R$ 10 mil mensais ao advogado Luiz Cláudio Freire de Souza França (“Fran”); valores semelhantes a ex-integrantes da Secretaria de Educação; além de repasses que somariam R$ 4,4 milhões a Éder Martins Fernandes, identificado como “CAB”.
Segundo a PF, o esquema estaria relacionado a um contrato firmado em 2020 com a empresa Larclean Saúde Ambiental, vencedora de uma licitação que, conforme a investigação, teria sido fraudada para desclassificar sete concorrentes com propostas mais baratas.
O contrato inicial de R$ 13,6 milhões recebeu aditivos que elevaram o montante para R$ 59,2 milhões, apesar de serviços com preços até 660% acima do valor de mercado.
Diante dos indícios, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a expedição de mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 420 mil em bens do deputado e de sua esposa. O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro Nunes Marques, relator do caso. Na decisão, o magistrado afirmou que, naquele momento, não havia elementos suficientes para comprovar a ligação direta entre os pagamentos à empresa da esposa do parlamentar e a fraude licitatória investigada. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou contra as medidas cautelares.
Procurado, Vicentinho Júnior negou irregularidades e declarou que os repasses à empresa da esposa fazem parte de “rotinas da vida pessoal”, afirmando ainda que nunca foi investigado anteriormente. A investigação segue em curso e pode resultar em novas diligências caso surjam elementos adicionais que reforcem a conexão entre os contratos públicos e os repasses financeiros analisados.
Com informações do UOL.



