A Comissão Especial da Malha Ferroviária Inativa realizou, nesta quarta-feira (17), a primeira reunião de trabalho na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com foco na articulação regional para enfrentar os entraves logísticos do Sul do país. O encontro marcou a criação de um grupo interinstitucional e o alinhamento com Santa Catarina, iniciativa defendida pelo presidente da comissão, deputado Tiago Cadó (PDT).
Ao justificar a integração entre os estados, Cadó afirmou: “No final dessa concessão, nós perdemos cerca de 3.000 km de ferrovias no estado do Rio Grande do Sul, que simplesmente foram tirados de nós. Esse prejuízo vai ser debatido. O que está sendo proposto até aqui não nos serve. Precisamos, de fato, trabalhar integrado com os demais entes federados.”
Durante a reunião, os secretários estaduais concordaram que RS e SC, de forma isolada, perdem força política e capacidade de negociação junto aos órgãos federais, especialmente diante da possível abertura de um novo processo de concessão ferroviária previsto para o próximo ano.
O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, destacou que a participação do transporte ferroviário na movimentação portuária dos dois estados é inferior a 5%, enquanto no Paraná chega a 30%. Para ele, “o caminho do desenvolvimento, a artéria principal, a espinha dorsal de qualquer processo de desenvolvimento socioeconômico, passa por uma logística eficiente, passa por infraestrutura”, acrescentando que “a falta de visão que nós tivemos em relação à importância dessa logística multimodal ao longo de décadas é que faz o Brasil andar para trás.” Segundo Martins, “Paraná tem um problema muito menor do que o nosso, por isso SC e RS tem de estar juntos nessa questão.”
Já o secretário-adjunto de Logística e Transportes do RS, Clóvis Magalhães, criticou a condução do governo federal e classificou o anúncio de novas concessões sem participação dos estados como “um ato federal, mas não federativo.”
O deputado Guilherme Pasin (PP) cobrou a responsabilização da concessionária Rumo Logística. “Em 2027, encerra-se o contrato e precisamos fazer com que o Governo Federal entenda que a renovação dessa concessão com essa empresa fará muito mal aos estados do Sul”, afirmou.
Representando os ferroviários, João Calegari, presidente do Sindifergs, lembrou que o fechamento de ramais e a retirada de material ferroviário contribuíram para o declínio de municípios históricos. “Esse foi o início do processo que contribuiu para o declínio econômico de municípios historicamente ferroviários, como Santa Maria e Cruz Alta”, disse, ao classificar a fragmentação da Malha Sul como “tecnicamente e economicamente inviável.”
As entidades empresariais também manifestaram críticas. Para Roberson Jean Cardoso, da Famurs, “apesar de todos os modais serem importantes, cada um deve ser utilizado conforme sua vocação e distância adequada, o que atualmente não ocorre no estado.” Já o vice-presidente da Fecomércio, Leonardo Ely Schreiner, afirmou que “há mais de duas décadas, as entidades representativas e o setor produtivo tentam tratar do tema com o Ministério dos Transportes, sem sucesso.”



